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Um e um é sempre mais que dois: a participação nos processos comunicacionais

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Na edição anterior abordamos a pluralidade nas atividades de comunicação. A expressiva quantidade de atores – preferencialmente diversificada – dentro de um determinado processo não se basta para qualificá-lo se este não é constituído de uma participação ampla e ativa de seus integrantes. Nesse sentido, compreender a importância da participação nos processos comunicacionais possibilita identificar potenciais caminhos para a qualificação de coletivos diversos numa ação que afirme a democracia pela sua própria prática.
Numa visão funcionalista da comunicação, o que distingue emissores de receptores é o envolvimento em maior ou menor intensidade dentro de um determinado contexto. A contribuição da Teoria Crítica foi demonstrar que tão mais democrático é o sistema no qual receptores são emissores em potencial, na medida de suas próprias capacidades e interesses.
Portanto, a despeito da participação ser efetivamente um mérito que qualifica processos comunicacionais, não é necessariamente na apropriação de processos de produção e de gestão que ela invariavelmente se dá. Pessoas, grupos, organizações fortalecem comunidades, movimentos e redes das mais diversas formas e intensidades e a compreensão dessas diferenças é que permite tanto o aproveitamento da contribuição de todos no processo, cada qual a sua maneira, bem como a compreensão de que cada elemento dentro de um coletivo tem um nível de participação determinado por fatores como conhecimento, interesse, disposição, dentre outros.

Colaborar, compartilhar
Para além da participação plena, os coletivos contam também com outros modos de contribuição por parte dos indivíduos. A colaboração se dá pela construção coletiva de indivíduos um determinado processo. A participação é, assim, descentralizada e distribuída, adicionando uma dimensão de trabalho em conjunto que se percebe nesses coletivos e, particularmente, no papel de cada integrante dentro do processo. Por sua vez, o compartilhamento pressupõe envolvimento dos diversos atores dentro de um determinado conjunto, em função de suas particularidades.
De nada adianta uma pluralidade na qual não há participação ou na qual esta se restrinja a poucos, que em geral se assumem na vanguarda de processos que remetem a um coletivo que, em geral, é muito maior do que aqueles que efetivamente tomam parte. Participação não consiste apenas em engrossar o coro dos descontentes, em encontrar determinadas afinidades e identidades com outros atores, mas sim, a partir daí, construir, a partir do envolvimento, um espaço coletivo, que precisa ser tanto descoberto quanto estimulado por cada um de seus integrantes.
Trata-se, portanto, de uma disposição a ser contemplada no modo de atuar de quem constitui coletivos e de quem neles se envolve.

Tendência que se reflete nas tecnologias
Atenta a esse movimento, as tecnologias de rede estão se desenvolvendo para dar materialidade a essas tendências. Sites de relacionamento, comunicadores instantâneos e blogs são recursos e ferramentas à disposição dos usuários da Internet, que favorecem processos participativos nos quais a colaboração e o compartilhamento se potencializam e afirmam na medida do envolvimento de seus integrantes.
Compreender como e de que formas se dá esse envolvimento é o caminho para gerar processos comunicacionais plenos e amplos, mas tais ferramentas contribuem para um processo em curso, atendendo finalidades de aproximação numa sociedade que busca cada vez mais interagir em seus pontos em comum e desavenças. Talvez por isso a idéia de aldeia global não seja uma imagem tão adequada a esse processo, na medida dos conflitos que lhe são inerentes e da necessária dinâmica de envolvimento para empreender uma participação necessária e construtiva.
A assim chamada Web 2.0 é derivada dessa dinâmica, na qual o conteúdo dos sites não é fruto pura e simplesmente dos desenvolvedores e responsáveis, mas do conjunto de seus usuários que colaboram para qualificá-lo e criar verdadeiras comunidades de compartilhamento social entre seus integrantes.
Cabe alertar, por fim, que tais processos – participativos de modo colaborativo, compartilhado e, conseqüentemente, integrado – precisam ser incorporados pela articulação das próprias práticas de comunicação comunitária e, porque não dizer, pelos próprios movimentos pela democratização da comunicação, pela simples e legítima necessidade de gerar modelos radicalmente democráticos e inovadores de produção de conteúdo e de linguagens.

 

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