Os manuais de Comunicação nos ensinam que esta atividade se faz possível na existência de um emissor que transmite uma mensagem a um receptor através de um canal com determinados objetivos. Além disso, que a continuidade do processo comunicacional se dá através da realização do percurso inverso desse fluxo comunicacional, no qual os papéis se invertem: emissores passam a receptores e vice-versa.
Com a chegada dos meios de comunicação de massa, os emissores passam a transmitir suas mensagens a um número cada vez maior de receptores, permitindo questionar a real existência da comunicação nesses contextos, nos quais se transmite um determinado conteúdo para as massas, mas que não é produzido por elas.
Se esse desequilíbrio é proporcionado pela não equivalência entre produtores e receptores de mensagens, a efetivação do processo comunicacional, por sua vez, estaria na supressão da contraposição entre emissores e receptores de mensagens, capaz de gerar dinâmicas efetivamente interativas e, por conseqüência, efetivamente comunicacionais. É possível compreender que a importância da interatividade no processo comunicacional é tamanha que podemos associá-la à própria existência da comunicação
Via de mão dupla
Constituir processos interativos é uma atribuição dos meios que se pretendem comunicacionais em quaisquer circunstâncias. Aproximar emissores dos receptores, proporcionar o envolvimento de receptores no processo de produção e o compartilhamento dos próprios meios é um atributo essencial das iniciativas que se pretendem democráticas. Da mesma forma que, no intuito de almejar a simpatia de telespectadores em geral, diversas iniciativas apresentadas nos meios comerciais corporativos se superam na sedução da audiência tendo a interatividade como diferencial, na qual o público é chamado a votar, escolher ou mesmo realizar matérias dentro de determinadas programações.
A interatividade diz respeito à formação de grupos e coletivos que atuam de forma comum ou mesmo compartilhada, seja dentro de um mesmo programa ou de uma iniciativa mais ampla, como uma emissora comunitária. Os processos de interação podem ser acionados no desenvolvimento dos conteúdos a serem veiculados, ou mesmo na própria gestão das emissoras, visando incrementar sua participação e fomentar meios de sustentação das diversas iniciativas.
Pela comunicação como bem público
A existência da interatividade como princípio nos meios de comunicação pode parecer uma pretensão utópica, mas extremamente necessária se identificamos o quanto dos conteúdos produzidos e veiculados atualmente não expressa o cotidiano das pessoas, lugares e situações que poderia proporcionar audiências mais esclarecidas e conscientes em seu papel no mundo, na família, em seus locais de trabalho, enfim, em sua vida em sociedade.
Envolver aqueles dispostos a comunicar, a veicular seus conteúdos nos meios existentes e já disponíveis, a despeito de uma legislação a ser desenvolvida e/ou ampliada, é um primeiro passo sempre disponível, necessário e urgente. Identificar possibilidades de ampliação dessa capacidade coletiva de produção é uma arte que não se restringe aos meios comunitários, mas também aos meios privados e mesmo os estatais. Trata-se de efetivar a comunicação como pautada no interesse público a partir do envolvimento do público em seu processo de realização. Esse capaz de proporcionar autonomia e determinação de um público/audiência que se faz sujeito/emissor de suas próprias expressões, visões de mundo e realidades, bem como desejos e fantasias que expressam manifestações culturais que não se restringem a mercadorias com embalagens fornecidas por emissores empreendedores que se restringem a um número limitado de corporações em cada um dos setores de comunicação e cultura que envolvem audiências na circulação de conteúdos que transformam a comunicação num processo unidirecional no qual a interatividade não passa de um simulacro.