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Religião, igrejas e mídia no Brasil

por Dagmar Camargo
DagCamargo@gmail.com

“O sucesso da religião e a crise da sociedade são, assim, faces da mesma moeda, cuja medida é a crise da própria razão”. Prandi

Segundo noticiou a Folha de São Paulo em 11/01/2007, no dia 10 de janeiro, a Polícia Federal fechou e tirou do ar na “Operação Linhas Cruzadas” a rádio Gospel /SP da Fundação Evangélica Trindade, braço da Igreja Renascer, por envolvimento em crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Teriam passado pela rádio mais de 46 milhões de reais não declarados. Como a mesma não tinha outorga, seus dirigentes vão responder também pelo crime de indevida atividade de radiodifusão. “Foram apreendidos três (03) transmissores de 15 mil wats avaliados em 40 mil reais e expedidos 17 mandados de busca e apreensão. O casal de fundadores foi preso com 56 mil dólares (declararam 10 mil) ao descer em Miami e tiveram habeas corpus negado”.
Receberam em outubro de 1988 (dias antes da promulgação da Constituinte), do Presidente Sarney e ACM – Antônio Carlos Magalhães, seu Ministro das Comunicações, duas outorgas Educativas  que se tornaram cabeças da rede de outras retransmissoras no país para seu proselitismo religioso e político, com concessão do Estado brasileiro. A partir da Constituição passam pelo Congresso as aprovações das concessões, mas nas Comissões de aprovação há políticos donos de mídia ou seus assessores e lobistas.

Ao analisar as tabelas abaixo, referentes às igrejas no último censo brasileiro em 2000, surgem várias questões a se perguntar e uma delas é a diminuição do percentual dos Católicos e o crescimento dos demais, principalmente evangélicos. Se levarmos em consideração a proibição de certos cultos religiosos não católicos na história política do país durante os anos de ditadura, e relacionarmos com o processo de abertura, teremos um recorte de análise até o final dos anos 80, com o fim da censura em 1986. Muitos talvez até, no censo de 2000 ao declarar sua religião, devido ao sincretismo com a igreja católica, não se assumem do candomblé ou umbanda, assim como é possível a partir da lei de cotas raciais que no próximo censo o número de declarantes negros e índios aumente. Mas necessário é refletir sobre o maior percentual deste crescimento a partir de 1988 com as concessões dadas à Igreja Renascer e 1989 quando a Rede Record foi comprada pela Igreja Universal do Reino de Deus, elevando de 9% para 15,44% o número de seus adeptos de 1991 a 2000, conseguindo em dez anos uma ampliação jamais vista nos últimos 50 anos.

Tabela 1 – Religiões no Brasil de 1940 a 2000 (%)

Religião

1940

1950

1960

1970

1980

1991

2000

Católicos

95,2

93,7

93,1

91,1

89,2

83,3

73,8

Evangélicos.

2,6

3,4

4,0

5,8

6,6

9,0

15,4

Outras

1,9

2,4

2,4

2,3

2,5

2,9

3,5

S/ religião

0,2

0,5

0,5

0,8

1,6

4,8

7,3

(*) Não inclui religião não declarada e não determinada. FONTE: IBGE, Censos demográficos.

Tabela 2 – As religiões do Brasil em 2000

Religião

Número Absoluto

%

Católicos romanos

124.976.912

73,77

Evangélicos

26.166.930

15,44

Protestantes históricos

7.159.383

4,23

Pentecostais

17.689.862

10,43

Outros evangélicos

1.317.685

0,78

Espíritas

2.337.432

1,38

Espiritualistas

39.840

0,02

Afro-brasileiros

571.329

0,34

Umbanda

432.001

0,26

Candomblé

139.328

0,08

Judeus

101.062

0,06

Budistas

245.870

0,15

Outras Orientais

181.579

0,11

Muçulmanos

18.592

0,01

Hinduístas

2.979

0,00

Esotéricos

67.288

0,04

De tradições indígenas

10.723

0,01

Outras religiosidades

1.978.633

1,17

Sem religião

12.330.101

7.28

Declaração múltipla

382.489

0,23

BRASIL

169.411.759

100,0%

(*) Não inclui 387.411 casos de religião não declarada, 0,23%  de residentes no país com total em 2000 de 169.799.170

O Novo Pentecostalismo como a Igreja Universal do Reino de Deus, Deus é Amor, e a Casa da Oração (chamados de cura divina), com proliferação vertiginosa, transformando cinemas e grandes edificações em templos, usando redes televisivas e criando uma nova relação com o dinheiro que passa a ser instrumento para a obra de Deus (desde que acumulado e usado pelos pastores) segundo Prandi, “permite ampliar velozmente uma infra-estrutura de culto e proselitismo”.

Tabela 3 – Igrejas evangélicas de missão no Brasil – 2000

Igrejas

População

%

Batista

3.162.700

37.31

Adventista

1.209.835

14,27

Luterana

1.062.144

12,53

Presbiteriana

981.055

11,57

Metodista

340.967

4,02

Congregacional

148,840

1,76

Menonita

17.631

0,21

Anglicana

16.591

0,20

Exército da Salvação

3.743

0,04

Outros

1.533.562

18,09

Total

8.477.068

100,0

Para as novas igrejas evangélicas, as religiões afro-brasileiras, umbanda e candomblé, têm sido alvo de combate permanente, com exorcismos televisivos de orixás, caboclos, pomba-gira, e outras, identificadas como formas do diabo. “Mostram vitoriosos testemunhos de como é possível até mesmo ficar rico quando se doa à igreja tudo que se tem, agora que o dinheiro não é mais visto como coisa do diabo. Mas a política é terreno do pecado. O pentecostal vota apenas no pastor ou em quem este disser, apenas para garantir interesses da religião”. Prandi cita: “Representantes de Deus em Brasília: A bancada Evangélica na Constituinte. Ciências Sociais Hoje, 1989. SP”.

Tabela 4 – Igrejas evangélicas pentecostais no Brasil – 2000

Igrejas

População

%

Assembléia de Deus

8.418,154

47,47

Congregação Cristã do BR

2.489,079

14,04

Ig. Universal do Reino/ Deus

2.101.884

11,85

Evangelho quadrangular

1.318.812

7,44

Deus é Amor

774,827

4,37

Maranata

277.352

1,56

Brasil para Cristo

175.609

0,99

Casa da Bênçao

128.680

0,73

Nova Vida

92.312

0,52

Comunidade Evangélica

77.797

0,44

Comunidade Cristã

76.730

0,43

Casa da Oração

68.587

0,39

Avivamento Bíblico

59,034

0,33

Igreja do Nazareno

47,384

0,27

Cadeia da Preçe

3.076

0,02

Não determinada

1.266.211

7,14

Sem vínculo institucional

357,949

2,02

Fonte: Censo demográfico 2000. IBGE

 

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. (texto completo)

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(texto completo)

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(texto completo - parte 1 - parte 2)

 

 

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