| Agenciando
uma nova Internet
a agenda das políticas de inclusão digital no Brasil
por
Monique Strunkis
5° período - Jornalismo
A questão da exclusão digital no Brasil é um
problema notório. Uma pesquisa realizada com a Fundação
Getúlio Vargas (FGV), o Comitê para Democratização
da Informática (CDI), a Sun Microsystems e a USAID mostrou
o Mapa da Exclusão Digital no país. Quase nove em
cada dez brasileiros não têm computador em casa (12,46%
das pessoas) e apenas 8,31% dispõem de acesso doméstico
à Internet. Além disso, o Brasil sofre com uma espécie
de "apartheid digital": no Distrito Federal 75% dos moradores
possuem computadores pessoais, enquanto que 98% dos maranhenses
são excluídos, por exemplo.
O alto índice de exclusão contrasta com o ritmo acelerado
da expansão da informática nos lares brasileiros.
Conforme verificado, em 17 de março deste ano, 26,703 milhões
de pessoas possuem computadores domésticos, segundo o Relógio
de Inclusão Digital. A pesquisa mostra que a cada quatro
meses, um milhão de brasileiros passam a ter computadores
em casa.
Mas a inclusão digital não se faz apenas com computadores.
Segundo o Presidente da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações),
Luiz Guilherme Schymura, o telefone também é fundamental.
No Brasil, o número de telefones instalados em casas não
é satisfatório. Dados da União Internacional
das Telecomunicações (UIT), analisados em 2001, mostram
que existiam 28,2 telefones fixos para cada 100 habitantes, o que
representa 51,1% dos lares brasileiros.
O presidente Luís Inácio Lula da Silva declarou que
a inclusão digital é uma das prioridades de seu governo.
O Ministro das Comunicações, Miro Teixeira disse,
em entrevista a O Globo, que várias ações
em prol da inclusão digital estão em andamento. A
primeira é o novo desenho do Gesac (sigla do projeto de acesso
a internet por satélite, criado pelo governo anterior, mas
restrito aos sites de governo, universidades e organizações
civis). Ele afirmou que assinará o aditivo que vai transformar
em rede os 3.500 tótens previstos no programa. De imediato,
duas mil escolas estarão em condições de desenvolver
seus programas de inclusão na área de educação,
que contará com o apoio do Ministro da Educação
Cristóvam Buarque.
Como nesta questão saltam aos olhos a situação
dos jovens, o governo pretende desenvolver políticas para
este segmento, como a de um programa da Prefeitura de São
Paulo que funciona num antigo ponto de venda de drogas num conjunto
habitacional. Em um ano, os adolescentes já são capazes
de criar homepages e os traficantes desapareceram. É necessário
pensar em projetos futuros, nos quais possam se integrar os jovens
que não estão em condições de disputar
o mercado de trabalho.
O trabalho
da Anatel procura estabelecer políticas junto com a sociedade
civil para acabar com a exclusão digital. Uma das últimas
propostas lançada pela Agência, na minuta do Regulamento
de Uso de Serviços de Rede de Telecomunicações,
é a de tarifa única para acesso a Internet, também
conhecida como "tarifa flat". De acordo com o que foi
sugerido, o usuário não pagaria pelo tempo de conexão
e nem conforme a distância entre a cidade onde está
e o provedor de acesso. Isto acabaria com o problema de 5.000 municípios
que não possuem provedores locais e que, portanto, precisam
se conectar à rede através de ligação
interurbana. Também, conforme a proposta, haveria a desvinculação
entre o serviço de voz e o de transmissão de dados.
Nesse novo modelo de acesso à Internet, outros dois tipos
de conexão ficariam disponíveis: o código não-geográfico
(0700 + número do provedor), que seria exclusivo para Internet,
a exemplo do sistema usado na Inglaterra, e o IP direto, com código
de acesso 1700, que encaminharia a chamada para uma rede de suporte
diferente da telefonia fixa.
Segundo o superintendente de Universalização da Anatel,
Edmundo Matarazzo, foram criados dois meios adicionais (de acesso
à Internet) sem prejuízo da situação
atual. Essas medidas não pretendem acabar com os modelos
atuais, sejam pagos ou gratuitos, e sim dar novas opções
ao usuário e fomentar o crescimento do uso da Internet no
Brasil, contribuindo também para a inclusão digital
no País.
A proposta da "tarifa flat", baseada em mais de 900 sugestões
encaminhadas à Anatel, vai ficar em consulta pública
até dezembro. O novo regulamento deverá estimular
o crescimento desse tipo de serviço, estabelecendo a livre
concorrência entre os provedores e ampliar a possibilidade
de acesso à Internet no País, aumentando o poder de
escolha dos internautas.
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