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Televisão brasileira entra na mira da sociedade civil

por Profª. Drª. Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo Eletrônico SETE PONTOS

Assistir programas televisivos é uma atividade praticada por mais de 99% da população brasileira, conforme dados das emissoras de TVs abertas do Brasil. Hoje se verifica que se disponibiliza no mercado brasileiro a TV por assinatura (paga, mas com canais básicos de utilização gratuita), a aberta (“gratuita”, mas que gera os maiores lucros e publicidades caras) e, futuramente, a digital e, conforme o governo federal, a pública. Diante de um veículo de comunicação que tem grande audiência, “influenciando” a opinião da maioria da população, a sociedade civil abre os olhos para os projetos propostos pelo governo e o mercado.

TV aberta – para quem?
A mídia brasileira é dominada por grupos familiares, políticos e igrejas que atuam, principalmente, nas emissoras de televisão e de rádio. No caso das famílias, registram-se três grupos nacionais (Rede Globo, Bandeirantes e SBT) e cinco regionais (RBS, na região Sul; Organizações Jaime Câmara (OJC), no Centro-Oeste; Rede Amazônica de Rádio e Televisão (RART), na Região Norte; Zahran, no Estado do Mato Grosso; e Verdes Mares, no Nordeste).
De acordo com os dados da Rede Globo, está em 99,84%, o equivalente a 5.043 municípios. Já o SBT, em 98% e a Bandeirantes em 94%. No caso dos grupos regionais, a RBS atinge 99,7% dos domicílios com TV dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; as OJC, com a TV Anhanguera, atingem mais de 180 municípios goianos, ou seja, 73,17% do Estado de Goiás; a RART atua em cinco dos sete Estados da Região Norte, equivalendo a 120 municípios, ou seja, 71,86% do Amazonas, Roraima, Rondônia, Amapá e Acre; o Grupo Zahran está em quase todos os 200 municípios dos Estados Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; e o Grupo Verdes Mares, em 92% do Estado Ceará.
No caso dos políticos, observa-se que, além de terem “ilegalmente” concessões de emissoras de rádio e televisão, são proprietários de grupos regionais, como é o caso do ex-Presidente da República e senador, José Sarney, no Maranhão – com a Rede Mirante de Comunicação; e do senador Antônio Carlos Magalhães, na Bahia – com a Rede Bahia; dentre outros.
Em relação às religiões, a mídia brasileira também vem sendo controlada pelas igrejas, como é o caso da Rede Record, um dos maiores grupos de comunicação, que pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, com emissoras de rádio, televisão, jornais, revistas e Internet. Também se observa a presença da Igreja Católica com a Rede Vida, dentre outros.
Nesse negócio, observa-se que, independente de quem esteja com a concessão, visa-se somente o lucro. Não se tem um espaço para a população e nem se observa a preocupação em oferecer programas de qualidade, como exige a Lei. Parece mais um espaço de poder e não um lugar para se fazer o melhor para os brasileiros.

TV digital: novela sem final feliz (?)
A TV digital é um tema que toma horas e mais horas da sociedade civil. O governo fez um contrato político e comercial, visando apenas o interesse dos empresários da mídia. O decreto foi considerado ilegal, o Ministério Público se posicionou contra os atos do governo, mas nada mudou. Aprovou-se um sistema japonês e se ignorou o melhor dos apresentados no mercado: o Sistema Brasileiro de TV Digital. E isso na justificativa de se fazer um modelo nipo-brasileiro. Porém, na prática, a história foi outra.
A grande dúvida hoje é: Como será a TV digital brasileira? Não terá interatividade? Além disso, questiona-se como serão as consignações de canais. Questionamentos que levam a sociedade civil a indagar o governo e o mercado. Pois, a proposta apresentada ao país ignora tudo o que poderia ser feito com uma TV digital de qualidade e apropriada à realidade brasileira.

TV por assinatura: sem canais básicos?
A TV por assinatura é um assunto que não conseguiu perder seu lugar nas páginas de jornal, nas decisões do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e no Procon. De acordo com a jornalista e membro da Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital, Cláudia Abreu, não se pode admitir a desobediência das empresas de TV por assinatura à Lei nº 8.977, de 6 de janeiro de 1995 (dispõe sobre o Serviço de TV a Cabo e dá outras providências), como é o caso da NET digital que não está oferecendo aos assinantes os canais básicos de utilização gratuita. Ou seja, nega-se ao brasileiro programações dos canais legislativos, educativo/cultural, universitário e comunitário. Não se permite que acompanhe e conheça a realidade do país. Mas, isso, até quando?

TV pública: de quem para quem?
Outro assunto que vem entrando na pauta é a TV pública. Assunto esse que ganhou evidência graças aos desacordos entre Ministério da Cultura e o das Comunicações. Enquanto o Ministro das Comunicações, Hélio Costa, leva para a opinião pública seu empenho na criação de uma rede pública de comunicação, o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, não se conforma com os posicionamentos do colega e prega a defesa de TVs públicas.
Mas, que rede pública de televisão é essa que vem sendo proposta pelo Ministro das Comunicações, Hélio Costa? Seguiria a mesma proposta de TV Pública do Ministro da Cultura, Gilberto Gil, ou, realmente, são duas coisas diferentes? Qual a proposta do governo federal para a sociedade brasileira?
Diante das indagações, não se pode negar o fato que no Decreto 5820/2006, sobre a implantação do SBTVD-T, registra-se que a União poderá explorar quatro canais (do Poder Executivo, de Educação, de Cultura e de Cidadania) e que existe o sistema Radiobrás – os dois pivôs da disputa entre os ministérios.

TV que te vê (?)
Diante de um veículo de comunicação tão poderoso, com acesso a quase 100% da população brasileira, o fato é que não se pode ignorá-lo. Os empresários o têm como sua fonte principal de lucro e o governo de domínio sobre todos. Pesos que afetam diretamente a vida e a realidade do povo brasileiro. Diante disso, a sociedade civil se posiciona em alerta e se organiza para analisar as propostas, projetos e problemas, propondo soluções em prol dos brasileiros. Afinal, que TV é oferecida ao país?

 

NossosMeios
Marco regulatório das Comunicações: para montar o quebra-cabeças, por Prof. Adilson Cabral
O debate em torno da definição do marco regulatório para o setor das comunicações no Brasil surge diante da necessidade em se definir regras a partir das quais Estado, mercado e organizações da sociedade identificam suas competências e estabelecem empreendimentos diversos, visando a ordenação do setor e sua efetiva regulamentação
. (texto completo)

Empresas e Grupos de Mídia
Televisão brasileira entra na mira da sociedade civil
por Eula D. Taveira Cabral
Diante de um domínio de quase 100% do Brasil, televisão brasileira entra na mira da sociedade civil que abre os olhos para os projetos propostos pelo governo e o mercado.
(texto completo)

Do local ao global
En Venezuela, las TICs estimulan la visibilización de las mujeres
, por Morelis Gonzalo
En Venezuela, como en la mayoría de los países latinoamericanos, las Políticas Públicas relacionadas con las TIC no incluyen la visión de género, sin embargo, existen diversos instrumentos que facilitan la inclusión de las mujeres en el quehacer del país y por ende su “ visibilización”.
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Soluções e usos
No olho do furacão:
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Depois de dois dias de análises e buscas de soluções para a rádio digital no Brasil, dentre outros temas, as organizações da sociedade civil se preparam para encaminhar suas propostas e reivindicações para o governo federal.
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Acesso Público
A chave da caixa-preta:
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A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados terá uma tarefa hercúlea pela frente se realmente estiver disposta a encará-la: regular a tramitação das outorgas de emissoras de radiodifusão. (texto completo)

Apropriação social das TICs
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Maria da Gloria Gohn defende que movimentos sociais são ações coletivas de caráter sóciopolítico construídas por atores sociais pertencentes a diferentes classes e camadas sociais (...) projetos desenvolvidos por um grupo que compartilha os mesmos valores políticos e culturais, que atuam para provocar uma transformação na sociedade (...) pela democratização da comunicação (texto completo).