| Os
valores humanos no ensino pelo computador
Isto
se traduz no resgate de valores essenciais e para isso é
necessário verificar que valores serão desprezados
e aqueles que devem fazer parte de nosso repertório.
Temos
valores que fazem prevalecer a cultura de consumo, associado ao
TER e valores humanos que envolvem as necessidades do SER. Ambas
importantes, desde que integradas.
De que
modo articular estes dois universos e viabilizarmos na prática
a construção de uma vida com qualidade de fato. Trazer
da esfera subjetiva que é o SER, para uma estrutura objetiva,
portanto concreta, que se materialize e justifique a função
existente da transição TER e SER. De algum modo é
preciso tornar esta questão uma necessidade de modo a criar
uma mobilização natural da vida de uma pessoa.
Se
considerarmos por exemplo a necessidade dos recursos da informática
que vêm sendo disparados de forma tão rápida
em vista de um processo que se iniciou e que já não
mais pode ser paralisado. Dizer que a máquina substitui o
homem? Dizer que o ensino através do veículo "computador"
é menos humanizado?
Podemos levantar inúmeras possibilidades as quais inclusive
considera uma supremacia do TER em detrimento de SER.
Em nome da evolução apenas produzimos? Criamos?
Apenas acompanhamos a modernização dos recursos utilizados
na tarefa de educar?
Seria o nosso trabalho tão puramente mecânico, tendo
em vista a existência de programas já antes pensados
para que pessoas humanas, sendo estas crianças, jovens e
adultos aprendam e preencham expectativas do saber?
Ou será nossa tarefa o simples oferecer dados? E o viver?
E o respeitar o ritmo que cada um possui, já nos encaminha
a pensar sobre uma ação mais personalizada?
Pois
bem, chegamos ao ponto central levantado anteriormente: a conciliação
destes recursos tão inovadores, tão competentes e
eficazes com o processo de desenvolvimentos das crianças
e do jovem que o utiliza.
Aprender
através do incrível leque de oportunidades que o ensino
através da informática oferece, onde o aprender torna-se
mais fácil e adaptado à modernidade, preparando estas
crianças para o seu presente e futuro de onde continuarão
inovando ainda mais.
O impacto
da informatização modifica e interfere neste processo
de aprendizagem, de maneira tal que caberá ao professor,
educador e aos pais, que esta seja uma influência positiva.
Cabe
portanto a nós que temos um recurso tão valioso de
ensino, dar nosso toque de humanidade, somando a isso, o que temos
também de precioso a contribuir: uma cultura específica
e própria ao grupo que se pertence, que são nossos
valores e princípios.
Quando
surgiu o computador para uso pessoal, foi apostando que pessoas
e suas famílias pudessem se beneficiar e otimizar tempo e
ganhar qualidade e objetividade em seus serviços (desde a
confecção de cartas, trabalhos escolares a projetos
e pesquisas de cunho profissional).
Este segmento
foi conquistado e continuamos cada vez mais aprendendo a utilizar
destes benefícios. Enfim a escola ganha também este
espaço, e neste processo infinito que é o desenvolvimento
humano, devemos nos perguntar:
- Como sermos suficientemente apropriados para possibilitar o crescimento
intelectual e emocional e também a capacidade criativa através
do ensino pelo computador?
Ou
seja, como tornarmos esse rico instrumento a favor do Homem, podendo
ele agregar valor a si. E esse é nosso trabalho. Cabe ao
professor de várias disciplinas, da figura do educador da
escola e da família, do profissional do laboratório
de informática e também, oferecer o elemento humano
fundamental na junção da teoria e prática,
que quando unidos certamente produzem um ensino com efeito crítico
e ético e não uma mera máquina para entreter.
É
pensando nesta soma que vamos refletir sobre a educação
e a violência que aprendemos na família e reproduzimos
em nossas relações inclusive no trabalho.
Então,
se somos condutores deste recurso de ensino pelo computador, precisamos
garantir nossa dose de resolução pessoal ao máximo
e isso significa expressar o humano que se é, verificando
em nós mesmos determinados padrões viciados ou crônicos,
que tiram a qualidade de nosso contato com a vida e com as pessoas.
É
portanto a violência, a negligência, a exclusão
do conhecimento para muitos, talvez o maior dano que a humanidade
vem sofrendo, modificando a concepção de que a violência
é um processo distante da interação pessoal.
Luiza
Ricotta
Psicóloga, escritora e professora de Pedagogia,
professora-supervisora em psicodrama pela
Federação Brasileira de Psicodrama, Terapeuta Famíliar
pela PUC/SP
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