Infovia-RJ conectará comunidades carentes à internet
Projeto pretende levar a inclusão digital adiante

por Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo

Em pleno aniversário de 11 anos da Rede Rio, o estado se prepara para a implantação do mais novo setor de Tecnologia da Informação, o projeto Infovia-RJ. O projeto, que conta com o apoio dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações, tem o objetivo de estruturar a expansão do programa de inclusão digital dos governos estadual e municipal, comunidade acadêmica e sociedade civil, através de entidades como o Comitê para Democratização da Informática (CDI). Tudo será realizado em quatro anos em todos os 92 municípios fluminenses. E, para isso, será preciso a parceria de empresas de tecnologia da informação e de outros setores ligados à área de tecnologia no intuito de angariar o capital necessário, estimado em R$ 53 milhões.
O projeto será realizado em três partes. A primeira, que já está sendo realizada, tem a finalidade de consolidar uma rede de backbones de alta velocidade que interliga a Rede Rio — coordenada pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) junto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ) — e a Rede Governo, gerida pelo Centro de Processamento de Dados do Estado (Proderj). A Rede Rio estará unida às comunidades carentes nos entornos dos centros de pesquisa e serão operacionalizados três pólos regionais da Rede Governo em Campos, Nova Friburgo e Volta Redonda.
Outro passo a ser realizado ainda na primeira etapa é a implantação de acesso à internet de banda larga para o primeiro dos 700 laboratórios que serão instalados nas comunidades carentes. A Infovia-RJ ainda aproveitará a estrutura de acesso à internet das universidades e dos centros de pesquisa, via redes sem fio.
A segunda e terceira etapas terão duração de um ano cada uma. A segunda está planejada para começar ainda este ano e pretende, entre outras realizações, implantar 200 laboratórios de inclusão digital em comunidades carentes do Grande Rio. Já a terceira irá fazer a interconexão do Proderj ao anel óptico da Rede Rio, aumentando a velocidade de megabites para gigabites dos usuários do projeto. Além disso, também ocorrerá a interconexão da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) à Rede Rio e a instalação de mais 500 laboratórios em comunidades do interior do Rio.
O governo do Rio de Janeiro assegurou a parceira com a Associação das Empresas Brasileiras de Software e Serviços de Informática do estado (Assespro-RJ) para viabilizar uma integração entre o governo, as indústrias e as empresas envolvidas no projeto. A Assespro e o CDI, que aderiram ao projeto, já começaram a agir no combate à exclusão digital. A Escola de Informática e Cidadania do CDI, inaugurada recentemente na Praça Tiradentes, será a primeira de outras dez a terem o link de acesso à grande rede fornecida pelo Proderj.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Peregrino, se encontrou com o presidente da ONG canadense ICA (Instituto para Conectividade das Américas), Randy Zadra, ganhando um novo aliado para o projeto. Ele veio para participar do Mês da Sociedade da Informação e se comprometeu a apresentar o projeto na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, em Genebra, em dezembro. Zadra elogiou o governo fluminense: “Que eu saiba, não existe projeto similar no mundo”.
De acordo com Peregrino,“com o Infovia, permitiremos ao cidadão o bem maior desse milênio, a informação. Será a rede com maior velocidade dentro do Brasil; 11 megabites por segundo, 200 vezes mais veloz do que a rede utilizada atualmente, com tecnologia wireless (sem fio), bem moderna. E o que é melhor, será gratuita”.
No Seminário Internacional da Sociedade da Informação, promovido pelo governo do estado em junho, o que mais se discutiu foi a implantação deste projeto, ajudando a incluir digitalmente os carentes, que não possuem acesso à internet. Nele, estiveram presentes Adama Samassekou, presidente da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI); Daniel Stauffacher, embaixador da Suíça, que sediará a CMSI em dezembro, em Genebra; e de Hassine Bouzid, embaixador da Tunísia, que sediará a segunda parte da CMSI em 2005.
Durante o evento, o ministro brasileiro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, disse que “promover a inclusão digital tornou-se, para o presidente e seus auxiliares, quase uma obsessão. Não tenho receio de afirmar que o programa Sociedade da Informação é o programa de maior alcance estratégico para o ministério da Ciência e Tecnologia”. Para completar, Fernando Peregrino disse que “o Rio sempre esteve comprometido com a disseminação da tecnologia. Nossa missão é eliminar o apartheid digital.”
A iniciativa do projeto foi elogiada por Adama Samassekou: “Tivemos uma magnífica demonstração do que pode ser feito com a tecnologia”. Ele enfatizou a importância da ajuda dos países para popularizar o acesso à informação. E ainda falou que “aqui no Brasil temos a demonstração dos resultados que podem vir da união de novas tecnologias com recursos humanos de qualidade, líderes políticos de visão e bancos com recursos para financiar projetos”.
O Infovia-RJ beneficiará a população fluminense, fazendo com que todos estejam conectados à internet, com banda larga e de graça. Mas, para o Infovia-RJ sair do papel, será preciso também o apoio do Governo Federal, como ressaltou a presidente do Proderj, Tereza Porto. "Com recursos provenientes só do Estado não é possível promover uma política de inclusão completa", destacando que a administração atual terá que tratar a inclusão como prioridade.

 
NESTA EDIÇÃO

Para fazer valer a pena
Esforços da sociedade civil não se bastam para a Cúpula
por Adilson Cabral
Faltando poucos meses para a primeira parte da Cúpula Mundial da Sociedade da informação, tendo sido realizadas duas reuniões preparatórias, várias conferências regionais, uma reunião intersessional e perto da realização de mais uma PrepCom - talvez a última, a sociedade civil se depara com aquele velho dilema que pontua e provoca sua atuação em relação aos setores governamentais: até que ponto vale a pena o diálogo para o estabelecimento de leis mais democráticas, acordos mais justos e planos de ações comuns que possam inspirar uma ação cooperativa entre governos e sociedade civil?

Documento do Caucus da América Latina e do Caribe
Prioridades que podem contribuir para a
formação de sociedades mais justas
por Eula D. Taveira Cabral
O Caucus da América Latina e do Caribe enviou à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, no mês de julho, um documento com oito prioridades que podem contribuir para a formação de sociedades mais justas: desenvolvimento sustentável; direitos humanos; governabilidade global da Internet; acesso e infraestrutura; meios comunitários; gênero; educação, diversidade lingüística e cultural; bens comuns globais.

Direitos Humanos
Desafios da sociedade civil na preparação para a CMSI
Reuniões preparatórias dão mais atenção ao setor privado
A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação acontecerá em dezembro, em Genebra, mas, durante todo este ano, estão sendo organizadas reuniões de preparação para a CMSI, chamadas PrepCom (Comitê Preparatório). Quando não se consegue discutir todos os assuntos a serem abordados nas PrepComs, é necessário convocar uma reunião intersessional, para a preparação dos documentos. Na última, realizada em Paris, em julho, os governos dos países participantes junto com a sociedade civil discutiram a Declaração de Princípios e do Plano de Ação. A RITS e o Caucus da América Latina e do Caribe estavam presentes e reclamaram da distância no diálogo entre a sociedade civil e o setor público. (Texto completo).

Desenvolvimento Sustentável
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Quebrar paradigmas, por quê?
por Arievaldo Alves de Lima
A velocidade com que ocorrem as mudanças nos dias de hoje tem levado autores a exaustivos trabalhos, desenvolvidos em óticas as mais diversas (...) As atitudes do passado que antes davam certo podem não ser adequadas para os dias de hoje; então, precisamos realmente desaprender certas coisas, mas aquilo que está sedimentado em nossa mente tem dificuldade em mudar. Isso não é fácil, porque mudar percepções já consolidadas necessita de um impacto específico. As mudanças do momento estão acontecendo com muita velocidade, provocando turbulências em nossas vidas; diferente do que ocorria há alguns anos em que essas turbulências aconteciam em períodos menores.

Educação para a Informática e a Internet
Rio Info 2003 põe difusão digital na pauta

Evento busca difundir o uso do computador
como ferramenta de trabalho

O evento pode ser considerado uma prática de inclusão digital daqueles que podem economicamente ser incluídos, mas por devido à incapacidade em apreender os benefícios da tecnologia na dinâmica de suas atividades. Colocar, num mesmo espaço, uma série de empresas, que buscam soluções em tecnologias de informação para seus negócios, e empresas de tecnologias de informação, que oferecem soluções para empresas que as desejarem, tem o mérito de contribuir para a disseminação da tecnologia em todo o estado, pois conta-se também com o envolvimento de integrantes dessas empresas, que buscarão melhor qualificação para empreender os serviços que farão parte do novo cotidiano dessas empresas.
(Texto completo).

Conhecimento Global de Domínio Público
As polêmicas "verdades" de Matrix

Filosofia e física quântica temperam o debate sobre o filme
"Matrix", uma trilogia criada e dirigida pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, começou a ser produzido em 1999. A primeira parte, "Matrix", é considerado um dos filmes mais inteligentes e originais já produzidos, deixando o espectador, ao sair do cinema, com mais dúvidas do que respostas (e isto é um elogio). A segunda parte, que já foi lançada, "Matrix Reloaded", e a última parte, "Matrix Revolutions", torna a história ainda mais complexa e fascinante, envolvendo conceitos de física quântica, fazendo com que muitos livros sejam lançados sobre o tema. (Texto completo).

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