Desafios da sociedade civil na preparação para a CMSI
reuniões preparatórias dão mais atenção ao setor privado

por Gabriella Ponte
5º período - Jornalismo

A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) só acontecerá em dezembro, em Genebra, mas, durante todo este ano, estão sendo organizadas reuniões de preparação para a Cúpula. As conferências da ONU são precedidas dessas reuniões, chamadas PrepCom (Comitê Preparatório). Para a primeira fase da CMSI, serão organizadas três PrepComs. A PrepCom 2 foi a última a ser realizada, em fevereiro. Quando nas PrepComs não se consegue discutir todos os assuntos a serem abordados, é necessário convocar uma reunião intersessional, para a preparação dos documentos. Foi o que aconteceu entre a PrepCom 2 e a PrepCom 3 (a ser realizada em Genebra, em setembro).
A reunião Intersessional foi em Paris, nos dias 15 a 18 de julho, e os governos dos países participantes juntamente com a sociedade civil discutiram a Declaração de Princípios e do Plano de Ação. A Rede de Informação para o Terceiro Setor (RITS) e o Caucus da América Latina e do Caribe estavam presentes e reclamaram da distância no diálogo entre a sociedade civil e o setor público. Eles reivindicam maior espaço para participarem mais ativamente na concretização da sociedade da informação. A ação das Ongs é intensa, embora não esteja sendo valorizada. Sem a ajuda das Ongs, muito do que já foi realizado não teria sido possível.
Nesta intersessional, partes dos documentos de contribuições feitas pela sociedade civil foram cortadas. O que se espera é que estes cortes não influenciem nos objetivos que a ONU pretende alcançar na Cúpula. Em entrevista concedida à RITS, disponível no site, Olinca Marino, coordenadora de informações da organização mexicana La Neta, conta como foi a experiência de ter participado da Intersessional e explica a frustração das Ongs neste processo: "O sentimento de frustração ocorreu porque o documento que havíamos produzido antes, na PrepCom 2, acabou sendo muito modificado, e isso não beneficia a sociedade. Nós pensávamos que poderia ter havido um avanço maior em relação ao conteúdo que estava sendo trabalhado. Com surpresa, percebemos que tanto as contribuições dos governos quanto as observações das empresas ganharam muita força, ao contrário das da sociedade civil. (...) É muito clara a desvinculação que se tem da sociedade civil. No processo estão sendo consideradas, principalmente, as contribuições que chegam dos governos, e os governos têm muito boas relações, em alguns casos, com o setor empresarial. E nós, representantes da sociedade civil, não estamos conseguindo interferir no processo de produção, discussão e redação desse documento."
Justamente pelo fato do setor privado e do governo tomarem a frente nas discussões das PrepComs, as empresas estão sentindo necessidade de serem os principais atores da Sociedade da Informação. Afinal de contas, sem seu estímulo e capital muitos projetos não poderão ser concretizados. Olinca fala de como se tornou restrito o espaço das Ongs nas reuniões, que "o que se vinha notando até o momento é que os governos tinham suas discussões nos espaços de trabalho, ao passo que à sociedade civil se reservava apenas um espaço, ou espaços muito específicos, no início e no final das sessões, sem que houvesse qualquer vinculação com as discussões que vinham sendo travadas".
Mas, por que as propostas da sociedade civil não estão sendo bem vindas? "Parece-me que as nossas propostas são contrárias a alguns interesses, sobretudo os de monopolizar a tecnologia, concentrar a riqueza do conhecimento, interesses que têm a ver com a governabilidade da Internet. E a sociedade civil, ao pleitear transparência, democratização, justiça, não é bem-vinda por alguns governos que mantêm vínculos com algumas empresas, por exemplo", diz Olinca.
Mas, nem tudo está perdido. Há esperanças para uma intensa atividade das Ongs através dos Direitos de Comunicação na Sociedade da Informação (CRIS), formada no Fórum Social Mundial em Porto Alegre em novembro de 2001, ativo na agenda da Cúpula, fixando sua aspiração para a democratização da mídia.
A principal dificuldade encontrada para todos os envolvidos na Cúpula é a de mobilizar as pessoas a esse assunto, de democratizar a informação. Este não tem o mesmo peso que os outros problemas que o setor público precisa resolver, como a saúde e a alimentação da população. É preciso que a Cúpula seja mais divulgada para que o governo, a sociedade civil e até mesmo a população se juntem para a conscientização sobre a importância dos direitos à informação para exercer a cidadania.

 
NESTA EDIÇÃO

Para fazer valer a pena
Esforços da sociedade civil não se bastam para a Cúpula
por Adilson Cabral
Faltando poucos meses para a primeira parte da Cúpula Mundial da Sociedade da informação, tendo sido realizadas duas reuniões preparatórias, várias conferências regionais, uma reunião intersessional e perto da realização de mais uma PrepCom - talvez a última, a sociedade civil se depara com aquele velho dilema que pontua e provoca sua atuação em relação aos setores governamentais: até que ponto vale a pena o diálogo para o estabelecimento de leis mais democráticas, acordos mais justos e planos de ações comuns que possam inspirar uma ação cooperativa entre governos e sociedade civil?

Documento do Caucus da América Latina e do Caribe
Prioridades que podem contribuir para a
formação de sociedades mais justas
por Eula D. Taveira Cabral
O Caucus da América Latina e do Caribe enviou à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, no mês de julho, um documento com oito prioridades que podem contribuir para a formação de sociedades mais justas: desenvolvimento sustentável; direitos humanos; governabilidade global da Internet; acesso e infraestrutura; meios comunitários; gênero; educação, diversidade lingüística e cultural; bens comuns globais.

Direitos Humanos
Desafios da sociedade civil na preparação para a CMSI
Reuniões preparatórias dão mais atenção ao setor privado
A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação acontecerá em dezembro, em Genebra, mas, durante todo este ano, estão sendo organizadas reuniões de preparação para a CMSI, chamadas PrepCom (Comitê Preparatório). Quando não se consegue discutir todos os assuntos a serem abordados nas PrepComs, é necessário convocar uma reunião intersessional, para a preparação dos documentos. Na última, realizada em Paris, em julho, os governos dos países participantes junto com a sociedade civil discutiram a Declaração de Princípios e do Plano de Ação. A RITS e o Caucus da América Latina e do Caribe estavam presentes e reclamaram da distância no diálogo entre a sociedade civil e o setor público. (Texto completo).

Desenvolvimento Sustentável
Infovia-RJ conectará comunidades carentes à Internet

Projeto pretende levar a inclusão digital adiante
Em pleno aniversário de 11 anos da Rede Rio, o estado se prepara para a implantação do mais novo setor de Tecnologia da Informação, o projeto Infovia-RJ. Ele conta com o apoio dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações e tem o objetivo de estruturar a expansão do programa de inclusão digital dos governos estadual e municipal, comunidade acadêmica e sociedade civil, através de entidades como o CDI. Tudo será realizado em quatro anos em todos os 92 municípios fluminenses. (Texto completo).

 

Quebrar paradigmas, por quê?
por Arievaldo Alves de Lima
A velocidade com que ocorrem as mudanças nos dias de hoje tem levado autores a exaustivos trabalhos, desenvolvidos em óticas as mais diversas (...) As atitudes do passado que antes davam certo podem não ser adequadas para os dias de hoje; então, precisamos realmente desaprender certas coisas, mas aquilo que está sedimentado em nossa mente tem dificuldade em mudar. Isso não é fácil, porque mudar percepções já consolidadas necessita de um impacto específico. As mudanças do momento estão acontecendo com muita velocidade, provocando turbulências em nossas vidas; diferente do que ocorria há alguns anos em que essas turbulências aconteciam em períodos menores.

Educação para a Informática e a Internet
Rio Info 2003 põe difusão digital na pauta

Evento busca difundir o uso do computador
como ferramenta de trabalho

O evento pode ser considerado uma prática de inclusão digital daqueles que podem economicamente ser incluídos, mas por devido à incapacidade em apreender os benefícios da tecnologia na dinâmica de suas atividades. Colocar, num mesmo espaço, uma série de empresas, que buscam soluções em tecnologias de informação para seus negócios, e empresas de tecnologias de informação, que oferecem soluções para empresas que as desejarem, tem o mérito de contribuir para a disseminação da tecnologia em todo o estado, pois conta-se também com o envolvimento de integrantes dessas empresas, que buscarão melhor qualificação para empreender os serviços que farão parte do novo cotidiano dessas empresas.
(Texto completo).

Conhecimento Global de Domínio Público
As polêmicas "verdades" de Matrix

Filosofia e física quântica temperam o debate sobre o filme
"Matrix", uma trilogia criada e dirigida pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, começou a ser produzido em 1999. A primeira parte, "Matrix", é considerado um dos filmes mais inteligentes e originais já produzidos, deixando o espectador, ao sair do cinema, com mais dúvidas do que respostas (e isto é um elogio). A segunda parte, que já foi lançada, "Matrix Reloaded", e a última parte, "Matrix Revolutions", torna a história ainda mais complexa e fascinante, envolvendo conceitos de física quântica, fazendo com que muitos livros sejam lançados sobre o tema. (Texto completo).

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