Para fazer valer a pena
Esforços da sociedade civil não se bastam para a Cúpula

Faltando poucos meses para a primeira parte da Cúpula Mundial da Sociedade da informação, tendo sido realizadas duas reuniões preparatórias, várias conferências regionais, uma reunião intersessional e perto da realização de mais uma PrepCom - talvez a última, a sociedade civil se depara com aquele velho dilema que pontua e provoca sua atuação em relação aos setores governamentais: até que ponto vale a pena o diálogo para o estabelecimento de leis mais democráticas, acordos mais justos e planos de ações comuns que possam inspirar uma ação cooperativa entre governos e sociedade civil?

Pelo que vem sendo debatido nesses encontros, será mais uma oportunidade para a sociedade civil se articular, se debruçar numa série de documentos, artigos e contribuições das mais diversas, entrar em contato com os mais diferentes órgãos governamentais e instituições privadas no âmbito local, regional e mundial, para alcançar um resultado inexpressivo do ponto de vista das verdadeiras possibilidades e articulações para a promoção de uma sociedade que realmente tenha a informação ao alcance e que tenha a tecnologia como acessível ao seu conhecimento e a seus propósitos.

Entretanto, estamos longe de afirmar que este esforço resulte numa perda. Por mais contraditória que possa parecer essa afirmação, percebe-se na capacidade de articulação das ONGs em todo mundo, na capacidade de formação de redes, de projetos comuns, de encontros e troca de realidades que uma mobilização como essa proporciona, que existem ganhos muito maiores do que fazer dobrar a mentalidade dos governos e da iniciativa privada em todo o mundo.

Ganhos como o da clareza na definição das bandeiras de luta e na prática que viabiliza a movimentação das organizações para conquistá-las. Várias experiências concretas, relatadas numa série de sites e de listas de discussão em diversos servidores espalhados em todo o mundo, começam a ser retratadas, repensadas como possibilidades concretas de atuação e, através dos vários documentos que se escrevem como proposta, são tecidas numa base comum para o planejamento unificado de uma prática que carecerá não só da disposição das ONGs participantes desse processo de interlocução em torno da Cúpula em dar continuidade ao trabalho desenvolvido através de atividades que concretizem a sociedade do conhecimento, como também da ampliação da base de organizações inteiradas de todo o processo que vem acontecendo, contando com sua participação e envolvimento na consolidação desse cenário.

Também cabe afirmar que, nesse processo, aproxima-se o contato com setores governamentais de países e até empresas que atuam de forma progressista, com os quais se tecem laços de solidariedade e afinidade, permitindo a formação de uma massa crítica em torno de determinados e pontuais temas.

O desafio que se coloca, entendendo-se a evidente mobilização da sociedade civil em torno da preparação para a Cúpula, é justamente não oferecer impressões falsas a respeito da capacidade de mobilização da sociedade civil e, mesmo tendo algumas baixas na elaboração dos documentos principais para a Cúpula, saber ser capaz de organizar no cotidiano a sociedade da informação e do conhecimento, a despeito de compromissos firmados em encontros onde a presença da sociedade civil mais parece resultar em incômodo do que propriamente numa parceria possível.

Prof. Adilson Cabral
Curso de Comunicação Social
da Universidade Estácio de Sá

 
NESTA EDIÇÃO

Para fazer valer a pena
Esforços da sociedade civil não se bastam para a Cúpula
por Adilson Cabral
Faltando poucos meses para a primeira parte da Cúpula Mundial da Sociedade da informação, tendo sido realizadas duas reuniões preparatórias, várias conferências regionais, uma reunião intersessional e perto da realização de mais uma PrepCom - talvez a última, a sociedade civil se depara com aquele velho dilema que pontua e provoca sua atuação em relação aos setores governamentais: até que ponto vale a pena o diálogo para o estabelecimento de leis mais democráticas, acordos mais justos e planos de ações comuns que possam inspirar uma ação cooperativa entre governos e sociedade civil?

Documento do Caucus da América Latina e do Caribe
Prioridades que podem contribuir para a
formação de sociedades mais justas
por Eula D. Taveira Cabral
O Caucus da América Latina e do Caribe enviou à Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, no mês de julho, um documento com oito prioridades que podem contribuir para a formação de sociedades mais justas: desenvolvimento sustentável; direitos humanos; governabilidade global da Internet; acesso e infraestrutura; meios comunitários; gênero; educação, diversidade lingüística e cultural; bens comuns globais.

Direitos Humanos
Desafios da sociedade civil na preparação para a CMSI
Reuniões preparatórias dão mais atenção ao setor privado
A Cúpula Mundial da Sociedade da Informação acontecerá em dezembro, em Genebra, mas, durante todo este ano, estão sendo organizadas reuniões de preparação para a CMSI, chamadas PrepCom (Comitê Preparatório). Quando não se consegue discutir todos os assuntos a serem abordados nas PrepComs, é necessário convocar uma reunião intersessional, para a preparação dos documentos. Na última, realizada em Paris, em julho, os governos dos países participantes junto com a sociedade civil discutiram a Declaração de Princípios e do Plano de Ação. A RITS e o Caucus da América Latina e do Caribe estavam presentes e reclamaram da distância no diálogo entre a sociedade civil e o setor público. (Texto completo).

Desenvolvimento Sustentável
Infovia-RJ conectará comunidades carentes à Internet

Projeto pretende levar a inclusão digital adiante
Em pleno aniversário de 11 anos da Rede Rio, o estado se prepara para a implantação do mais novo setor de Tecnologia da Informação, o projeto Infovia-RJ. Ele conta com o apoio dos Ministérios da Ciência e Tecnologia e das Comunicações e tem o objetivo de estruturar a expansão do programa de inclusão digital dos governos estadual e municipal, comunidade acadêmica e sociedade civil, através de entidades como o CDI. Tudo será realizado em quatro anos em todos os 92 municípios fluminenses. (Texto completo).

 

Quebrar paradigmas, por quê?
por Arievaldo Alves de Lima
A velocidade com que ocorrem as mudanças nos dias de hoje tem levado autores a exaustivos trabalhos, desenvolvidos em óticas as mais diversas (...) As atitudes do passado que antes davam certo podem não ser adequadas para os dias de hoje; então, precisamos realmente desaprender certas coisas, mas aquilo que está sedimentado em nossa mente tem dificuldade em mudar. Isso não é fácil, porque mudar percepções já consolidadas necessita de um impacto específico. As mudanças do momento estão acontecendo com muita velocidade, provocando turbulências em nossas vidas; diferente do que ocorria há alguns anos em que essas turbulências aconteciam em períodos menores.

Educação para a Informática e a Internet
Rio Info 2003 põe difusão digital na pauta

Evento busca difundir o uso do computador
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O evento pode ser considerado uma prática de inclusão digital daqueles que podem economicamente ser incluídos, mas por devido à incapacidade em apreender os benefícios da tecnologia na dinâmica de suas atividades. Colocar, num mesmo espaço, uma série de empresas, que buscam soluções em tecnologias de informação para seus negócios, e empresas de tecnologias de informação, que oferecem soluções para empresas que as desejarem, tem o mérito de contribuir para a disseminação da tecnologia em todo o estado, pois conta-se também com o envolvimento de integrantes dessas empresas, que buscarão melhor qualificação para empreender os serviços que farão parte do novo cotidiano dessas empresas.
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Conhecimento Global de Domínio Público
As polêmicas "verdades" de Matrix

Filosofia e física quântica temperam o debate sobre o filme
"Matrix", uma trilogia criada e dirigida pelos irmãos Andy e Larry Wachowski, começou a ser produzido em 1999. A primeira parte, "Matrix", é considerado um dos filmes mais inteligentes e originais já produzidos, deixando o espectador, ao sair do cinema, com mais dúvidas do que respostas (e isto é um elogio). A segunda parte, que já foi lançada, "Matrix Reloaded", e a última parte, "Matrix Revolutions", torna a história ainda mais complexa e fascinante, envolvendo conceitos de física quântica, fazendo com que muitos livros sejam lançados sobre o tema. (Texto completo).

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