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As caras e cores da sociedade civil:
plenária organiza participação para a CMSI
através da Internet
Para
se entender e debater as novas tecnologias de informação
e comunicação, a Organização das Nações
Unidas criou a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
que será realizada em dezembro de 2003 em Genebra (Suíça)
e em novembro de 2005 em Tunis (Tunísia). Está sob
a responsabilidade da União Internacional de Telecomunicações,
órgão da ONU que congrega governos, setor privado
e sociedade civil, além de outras organizações
das Nações Unidas.
Porém, para que as resoluções da Cúpula
sejam satisfatórias para os governos, o setor privado e a
sociedade civil, estão sendo realizadas reuniões com
os setores. Sendo que nesses encontros muitas discussões
são levantadas pela falta de um objetivo comum. Além
disso, como envolve pessoas e representantes de todos os países
que têm metas distintas, o alvo final acaba sendo ignorado:
construir uma verdadeira sociedade da informação.
E, nessas diferenças de metas, os governos e as empresas
estão tentando impor seus interesses, tentando enfraquecer
assim a sociedade civil. Isso pôde ser observado nitidamente
na última reunião intersessional em Paris, nos dias
15 a 18 de julho, onde foi discutida a Declaração
de Princípios e do Plano de Ação. Nela, muitos
documentos com contribuições da sociedade civil foram
cortados. Para evitar que isso se torne uma prática, a sociedade
civil, além de reivindicar seus direitos, tenta se fortalecer
mais ainda e cria o “Grupo Plenário Virtual de SC”.
O grupo é formado por organizações que têm
interesse em conhecer e debater os temas que vêm sendo discutidos
na Cúpula, sendo que por estar registrado na Internet como
uma lista de discussão (plenary@wsis-cs.org) não é
um espaço de decisão, exigindo votação
de seus participantes, mas um lugar que promove o debate e a transparência
na organização da sociedade civil durante a CMSI,
como se esclarece no site http://mailman.greennet.org.uk/mailman/listinfo/plenary.
E, como as contribuições feitas pelos participantes
fortalecem as argumentações, resultando em documentos
que auxiliam a busca de soluções para incluir digitalmente
as pessoas e transformar a sociedade da informação
num grupo mais democrático, torna-se vital o envolvimento
de todos.
Hoje, a lista já tem mais de 250 inscritos. E, mesmo não
sendo considerado um lugar perfeito por críticos que desconfiam
do espaço virtual, percebe-se que se houver seriedade de
todos os envolvidos, as propostas levadas pela sociedade civil às
reuniões preparatórias para a Cúpula serão
bem analisadas e consolidadas, evitando qualquer poderio dos governos
e do setor privado.
Com isso, a sociedade civil tende realmente a se fortalecer. Agora,
espera-se que haja união entre todos os que estão
e humildade para ouvir e receber os que estavam totalmente apáticos
em relação à discussão que vem sendo
levantada sobre as tecnologias de informação e comunicação.
Pois, mesmo sendo órfã, a sociedade civil precisa
ser mais unida para que o governo e o setor privado não lhe
ignore. Afinal, é ela que realmente será contemplada
ou não, na medida do bem-estar do ser humano, que busca a
justiça social, a sociedade do conhecimento e a inclusão
digital.
por
Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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