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Direitos Humanos em xeque
Comunicação causa polêmica nas reuniões
preparatórias para a CMSI
Nas
reuniões preparatórias para a Cúpula Mundial
da Sociedade da Informação (CMSI) alguns direitos
humanitários estão sendo questionados pelos setores
envolvidos, sendo que um dos que mais provoca polêmica é
o direito à comunicação. Apesar de também
estarem sendo analisados: a afirmação do domínio
público e o regime de propriedade intelectual; o direito
à privacidade das comunicações; e as metas
estabelecidas pela Organização das Nações
Unidas conhecidas como Metas do Milênio (erradicação
da extrema pobreza e da fome; atingir o ensino básico universal;
promoção da igualdade entre os sexos e a autonomia
das mulheres; redução da mortalidade infantil; melhoria
da saúde materna; combate ao HIV/AIDS, a malária e
outras doenças; garantia da sustentabilidade ambiental; e
estabelecer uma Parceria Mundial para o Desenvolvimento).
O direito à comunicação é defendido
no artigo 19 da Declaração dos Direitos Humanos: “toda
pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão;
este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter
opiniões e de procurar, receber e transmitir informações
e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”.
Porém, mesmo sendo reconhecido internacionalmente, as empresas,
os governos e a sociedade civil não conseguem chegar a um
consenso. Alguns governos como o dos Estados Unidos vêm vetando
qualquer referência sobre o assunto.
De acordo com a representante da rede feminista DAWN para a Cúpula,
Magaly Pazzelo, nas reuniões preparatórias para a
CMSI, quando se discute o direito à comunicação
engloba-se desde o acesso aos meios de comunicação
e informação, transmissão e/ou armazenamento
de conhecimento, até questões ligadas à privacidade
e segurança. Assim, focaliza-se a Internet e os monopólios
da mídia (no Brasil, os monopólios são proibidos
na Constituição de 1988). Porém, na última
Intersessional, realizada em Paris, em julho de 2003, afirma que,
graças às propostas da União Européia,
foram suprimidos dois parágrafos centrais da Declaração
de Princípios que explicitavam a necessidade de garantir
ações dirigidas à igualdade de gênero,
as Metas do Milênio, além dos que citam os direitos
humanos, como o direito à comunicação e liberdade
de expressão.
Pazzelo chama a atenção para o fato de que “a
maior diferença existente entre grupos de comunicação
de massa (empresários do setor) principalmente dos Estados
Unidos e as ONGs que puseram sobre a mesa esta visão de que
a comunicação não é um bem comum de
acesso igualitário e eqüitativo para todas as pessoas
no planeta. O impasse, neste caso, se dá entre poderosos
interesses econômicos e aqueles que se opõem à
privatização da comunicação em sentido
amplo”.
Para os governos e as empresas, o mais importante é o lucro.
Assim, a grande preocupação volta-se para a tecnologia.
As pessoas são vistas apenas como audiência –
que pode ser ganha se houver investimentos na qualidade técnica
– e meras consumidoras. Porém, como se verifica na
Declaração dos Direitos Humanos, as pessoas devem
ter acesso à informação e a todos os suportes
que a facilitem, assim como ao conhecimento – evitando qualquer
tipo de exclusão. Essa garantia é para todos. E, como
tal, não pode ser negada nem evitada nas discussões
que visam a concretização da sociedade da informação.
Dessa forma, torna-se preocupante a defesa da privatização
do conhecimento e da informação principalmente no
que diz respeito ao monopólio do software – que vem
sendo feito pelos norte-americanos – pois, conforme a proposta
da sociedade civil, o ideal seria o desenvolvimento de um acervo
de informação no domínio público, de
livre acesso e protegido contra a privatização indevida.
Além disso, sobre os dados eletrônicos, defende-se
a segurança informativa.
Assim, espera-se que, na reunião do PrepCom3 (Comitê
Preparatório) da CMSI - a ser realizada em setembro de 2003
em Genebra -, todos os pontos propostos pelos governos, empresas
e a sociedade civil sejam revistos e, como em qualquer processo
político, que existam negociações plausíveis
e que beneficiem o ser humano.
por
Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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