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Genebra a vista: Lula lá
Começam os preparativos para a participação
brasileira em Genebra
Um dos grandes desafios desse início de milênio
é a viabilização da sociedade da informação
em todos os povos do mundo. Nesse intuito, a Organização
das Nações Unidas (ONU) criou a Cúpula Mundial
da Sociedade da Informação que ocorrerá em
dezembro de 2003 em Genebra (Suíça) e em novembro
de 2005 em Tunis (Tunísia). As reuniões preparatórias
vêm sendo realizadas desde 2002, tendo a participação
da sociedade civil, empresas e governos. No caso do Brasil, para
intensificar a participação do governo, o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no dia 07 de julho de
2003, um decreto que cria o Grupo Interministerial de Trabalho para
a Preparação da Participação do Brasil
na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação,
no âmbito do Ministério das Relações
Exteriores.
O grupo será presidido pelo Ministério das Relações
Exteriores, tendo a participação de representantes
do Ministério da Ciência e Tecnologia; das Comunicações;
da Defesa; do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior; da Educação; da Cultura; do Planejamento,
Orçamento e Gestão; da Fazenda; da Assistência
Social; da Saúde; da Justiça; da Casa Civil da Presidência
da República; do Gabinete de Segurança Institucional
da Presidência da República; e da Agência Nacional
de Telecomunicações (ANATEL). Ele "poderá
estabelecer formas e canais de colaboração com entidades
da comunidade acadêmica, do terceiro setor e da iniciativa
privada, que tenham interesse direto no tema da sociedade da informação".
Além do apoio de outros órgãos federais.
A participação do Brasil na Cúpula é
considerada de vital importância. Esse reconhecimento foi
feito pelo presidente do Comitê Preparatório da CMSI,
embaixador e ex-ministro da Educação de Mali, Adama
Samassekou, quando esteve no Brasil no dia 10 de junho de 2003.
Samassekou disse que líderes como Lula devem fazer parte
desta construção, uma vez que ela será embasada
na solidariedade e respeito, buscando meios para que as novas tecnologias
auxiliem no combate da pobreza e da desigualdade, incluindo e melhorando
a vida de todos.
Tendo este reconhecimento público, o Presidente do Brasil
já deu como certa sua participação nas reuniões
da Cúpula. Onde, como afirmou Cristiano Berbert, diplomata
do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos,
os "Chefes de Estado vão firmar acordos sobre a sociedade
da informação em dezembro: vários encontros
preparatórios já aconteceram e o governo brasileiro
começa a se posicionar".
O posicionamento do Brasil na CMSI começa a preocupar a sociedade
civil, pois mesmo que haja uma declaração pública
que a intenção do governo é acabar com a fome
e dar dignidade aos brasileiros, percebe-se que, nas reuniões
preparatórias para a CMSI, as prioridades governamentais
dos líderes do país estão se voltando mais
para a tecnologia. Isso pode ser observado na maior visibilidade
dada à representação da ANATEL no Grupo Interministerial
de Trabalho para a Preparação da Participação
do Brasil na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação,
onde a instância técnica está sendo tida como
prioritária, embora seus integrantes não assumam essa
tendência.
No documento apresentado pelo governo brasileiro na reunião
do PrepCom2 (Comitê Preparatório), realizada em fevereiro
de 2003, em Genebra (Suíça), foi salientada uma série
de pontos: a intenção de ir além da tecnologia;
a Declaração de Princípios seria um instrumento
de mudança para o interesse público; redução
da divisão digital; estratégias nacionais específicas;
as tecnologias de informação e comunicação
(TICs) não são um fim em si mesmas; o aumento da participação
dos países em desenvolvimento na nova economia; governança
na Internet; direito ao acesso e à privacidade; segurança
de rede de informação; capacidade de construir e "globalização
positiva"; cooperação internacional e transferência
de tecnologia; governança democrática.
Dos temas apresentados pelo governo brasileiro, de acordo com Cristiano
Berbert, os de interesse para incrementar debate no Itamaraty são
fundamentalmente a propriedade intelectual, a governança
na Internet e direito à comunicação, mesmo
depois de ter sido bastante criticado e quase que cortado pelos
governos e empresas na última reunião intersessional
realizada em julho em Paris. Além disso, enfatiza que a Cúpula,
segundo o Itamaraty, é um evento que mostra como a TI pode
ajudar pessoas e países a se desenvolver e que na reunião
do Prepcom3 (que será realizada em setembro deste ano em
Genebra - Suíça), o governo brasileiro levará
um plano de ação para compartilhar experiências
inovadoras e exitosas, sendo que o Brasil levará as suas,
a serem definidas pelo Grupo Interministerial.
Dessa forma, mesmo tendo a ANATEL como referência para seus
posicionamentos, que tem como bandeira a tecnologia, espera-se que
o governo brasileiro não se deixe levar pelos interesses
dos empresários e leve como meta a dignidade do ser humano
(como vem sendo pregada internamente no Brasil), pois como muitos
pontos de pauta ainda não foram totalmente definidos na última
reunião intersessional, a reunião do PrepCom3 será
vital para a redação do texto final que será
levado para a primeira etapa da CMSI, em dezembro deste ano.
por
Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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