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Esperar e fazer acontecer:
O que a sociedade civil pode desejar de um evento como
a CMSI?
Concretizar
a sociedade da informação é um projeto necessário,
porém vem se mostrando bastante ambicioso. Nele, pode-se
observar que a participação da sociedade civil vem
se tornando delicada, uma vez que os governos e as empresas começam
a impor suas prioridades. A meta de se buscar meios para que a tecnologia
traga benefícios para todos está passando a ser encarada
com desconfiança, pois o que vem sendo mostrado nas reuniões
preparatórias é que a inclusão de todos está
ficando em segundo plano e isso é um grave problema.
Na reunião do Prepcom2 (Comitê Preparatório),
realizada em fevereiro de 2003 em Genebra (Suíça),
verificou-se que o documento apresentado como referência para
as deliberações das organizações participantes,
de autoria do presidente do Comitê Preparatório da
Cúpula Mundial da Sociedade da Informação,
Adama Samassekou, não tinha legitimidade. Pois, como afirmou
o diretor executivo da Rede de Informações para o
Terceiro Setor (RITS), Paulo Lima, ele foi imposto às organizações
participantes. Não houve acordo sobre o documento entre os
participantes, sendo "imposto sem debate ou solicitação
prévia".
A imposição do presidente do Comitê Preparatório
acaba soando mal, dada a importância da Cúpula e de
seu processo preparatório que vem acontecendo há mais
de um ano, pois, além de não ter sido debatido pelos
presentes, foram salientados como pontos-chave os interesses dos
governos e das empresas. Mas, por quê? Se o intuito é
contemplar a presença dos três setores numa perspectiva
de inclusão digital, como pode um deles ser preterido em
relação aos demais? Isso acaba gerando desconfianças,
pois, antes a Cúpula não representava uma prioridade
por parte de setores privados e governamentais, que só despertaram
para a importância dos debates que estavam sendo travados
por ocasião da Reunião Intersessional de Paris (realizada
em julho de 2003). E, como foi observado pelo diretor executivo
da Rede de Informações para o Terceiro Setor (RITS),
Paulo Lima, a Reunião de Paris se constituiu numa espécie
de virada de mesa em relação à participação
empresarial e de governos que representam interesses das empresas.
E essa presença marcante dos governos e empresas na última
reunião intersessional, realizada nos dias 15 a 18 de julho
em Paris, acabou resultando em cortes significativos dos documentos
com contribuições da sociedade civil para a Declaração
de Princípios e do Plano de Ação. Simplesmente,
apenas as solicitações dos governos e empresas foram
contempladas.
Dentre as principais perdas para a população mundial
destacam-se: a saída do software livre e a entrada do código
de fonte aberta (propriedade intelectual); as referências
sobre as questões de gênero foram modificadas; o direito
à comunicação está sendo deixado de
lado, pois os setores comerciais temem perdas de contratos de exclusividade
ou de expansão de rede, além da organização
da oposição (que também contraria os interesses
dos países religiosos) e de iniciativas comunitárias;
aumentam as citações aos temas de propriedade intelectual
e entram temas como o da segurança, do controle, do ciberterrorismo
e do cibercrime.
Apesar de tantas perdas da sociedade civil, ainda é possível
que estas possam ser revistas se houver mais análise e discussão
sobre o que será proposto nas reuniões, pois tudo
ainda pode ser analisado. De acordo com a representante da rede
feminista DAWN para a Cúpula, Magaly Pazzelo, nas reuniões
preparatórias para a CMSI, a terceira edição
da PrepCom será crucial para a definição dos
rumos da conferência. "Isso quer dizer que nada ainda
está decidido e qualquer parte do texto, qualquer palavra
pode ser negociada e modificada. Ou seja, vamos ter sessões
bastante cansativas de negociação para que o texto
possa diminuir áreas de tensão e terminar a reunião
com um mínimo de textos entre parêntesis", afirmou.
Assim, para que não haja mais perdas, torna-se necessário
um maior envolvimento e mais consistência nos documentos.
"Para a Prepcom3 há a expectativa de aprovação
de documentos mais adequados, já que a sociedade civil já
teve a oportunidade de aprender com Paris. A expectativa, portanto,
para este encontro é: em apresentada a proposta pelo Board
da Cúpula, a sair em breve (mais informações
no site oficial da WSIS), aprovar na Prepcom3 documentos bem encaminhados",
enfatiza o diretor executivo da Rede de Informações
para o Terceiro Setor (RITS), Paulo Lima.
por
Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS
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