Sampa.org promove inclusão digital na periferia de São Paulo

por João Brant,
jornalista

Projeto de inclusão digital na periferia de São Paulo, milhares de pessoas cadastradas, diversos cursos de capacitação, na busca da criação de uma rede pública de comunicação e informação. Todas essas credenciais fazem parte do Sampa.org, projeto criado pelo Instituto Florestan Fernandes (IFF), uma referência importante no planejamento de ações do Governo Federal. A análise é de Rodrigo Assumpção, Secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, ex-coordenador do projeto paulista. Assumpção esclarece que não apenas o Sampa.org, mas várias outras iniciativas surgidas no país nos últimos anos podem contribuir. Para ele, não é possível pensar um programa de inclusão digital federal sem a união com estados, municípios e organizações da sociedade civil. “Não há capilaridade sem essas parcerias”, defende o secretário.
Criado em 2000, o Sampa.org nasceu como uma experiência piloto para a futura prefeita Marta Suplicy. Foram, então, montados 10 telecentros na Zona Sul de São Paulo em parcerias com associações de moradores e entidades locais. O interesse da sociedade veio de pronto. “As pessoas tinham a impressão de que bastaria fazer um curso de computação para estar inserido diretamente no mercado de trabalho”, conta Maurício Falavigna, diretor-executivo do Sampa.org. A realidade se mostrou mais dura, mas, aos poucos, a população foi percebendo outros possíveis usos. Segundo Eunice Aparecida dos Santos, secretária de uma das entidades parceiras, o Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo (CDHEP), os telecentros são usados para os fins mais diversos. “Pesquisas escolares, currículos, procura de emprego, senhoras de idade buscando aprender a usar computadores, além das concorridas salas de bate-papo e jogos”, enumera. No Movimento Comunitário Estrela Nova, o auxiliar de rede, Ideraldo Rodrigues Barbosa, conta que a apropriação da tecnologia é lenta, mas mostra resultados, dando o exemplo de um jovem que aprendeu a programar e logo montou um site do movimento hip-hop local.
Em 2002, os 10 telecentros do projeto foram incorporados pelo Governo Eletrônico, órgão da prefeitura responsável pela inclusão digital. Com a incorporação, veio a transição para o sistema Linux. Mas a mudança significou mais do que a troca do sistema operacional. Pouco tempo depois, três telecentros foram assaltados. No CDHEP, nove computadores foram levados. Silene Amorim Santos, educadora do Centro, conta que se começou a especular uma possível ação de moradores insatisfeitos com a prefeitura ou mesmo de ativistas de direita. “Nunca tinha acontecido nada em nenhum dos 10 pontos”, diz Silene. Com o tempo percebeu-se que a questão podia ser mais simples. “A expectativa dos bandidos era de que se assaltasse hoje, a prefeitura repunha amanhã”, explica o diretor-executivo do Sampa.org. Depois das ocorrências, as associações convocaram a comunidade para um debate, com a participação inclusive de suspeitos dos roubos. O esclarecimento de que o projeto continuava o mesmo e de que não haveria reposição em caso de furtos alertou os moradores. Não houve mais problemas.
O Sampa.org é hoje uma ONG à parte do IFF e trabalha em função do fortalecimento de uma rede pública de comunicação e informação. Para isso, têm sido buscadas atividades, além da escola de informática. “Temos desenvolvido agências de notícias populares comunitárias, cooperativas de suporte e manutenção, cursos de capacitação para design e até uma rádio on-line”, explica Falavigna. “Além disso, continuamos com o portal para criação de sites de associações e entidades organizadas”, completa. É nesse tipo de comunhão que aposta o Ministério do Planejamento. Rodrigo Assumpção diz que o objetivo é investir em espaços multifuncionais, comunitários e de uso público. “Já estamos trabalhando junto ao MEC para a conexão de 1800 escolas”. O secretário destaca que, com o programa Fome Zero, serão criados outros 1000 pontos de acesso, que serão posteriormente transformados em telecentros.

 
NESTA EDIÇÃO

Polymedia Lab - a gente se vê em Genebra
8 a 13 de dezembro, durante a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, por Adilson Cabral
Polymedia Lab propõe o desenvolvimento de um laboratório de comunicação e mídia e um contra-evento à Cúpula. Um espaço temporário de experimentação e confrontação para projetos de comunicação alternativos e comunitários, servindo como uma plataforma para o desenvolvimento e experimentação da comunicação horizontal.

Segurança da Informação
O que a ética "hacker" tem a ver com a inclusão digital da sociedade?
De acordo com Pekka Himanen, importantes nomes do "hackerismo" como Vinton Cerf, Tim Berners-Lee, Steve Wozniak e Linus Torvalds foram os responsáveis por criar os fundamentos da Sociedade da Informação nos últimos 30 anos. É esse compromisso que os "hackers" têm com a informação, é essa paixão pela criatividade que se transformou na ética "hacker". (Texto completo)

Diversidade Cultural e Lingüística
As caras e cores da sociedade civil:

plenária organiza participação através da Internet
O “Grupo Plenário Virtual de SC” é formado por organizações que têm interesse em conhecer e debater os temas que vêm sendo discutidos na Cúpula, sendo que por estar registrado na Internet como uma lista de discussão não é um espaço de decisão, mas um lugar que promove o debate e a transparência na organização da sociedade civil durante a CMSI.
(Texto completo).

Educação para a Informática e a Internet
A inter-relação entre a Comunicação Social e a Educação

Com a evolução da educação, foram estabelecidos novos espaços transdisciplinares que aproximaram os tradicionais campos da Educação e da Comunicação Social, resultando na disciplina Educomunicação. Nela, os professores utilizam os meios de comunicação – tv, rádio, jornais, revistas, Internet – como complemento fundamental no programa escolar. (Texto completo).

 

Direitos Humanos
Direitos Humanos em xeque:
Comunicação causa polêmica nas reuniões preparatórias para a CMSI
Nas reuniões preparatórias para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação alguns direitos humanitários estão sendo questionados pelos setores envolvidos, sendo que um dos que mais provoca polêmica é o direito à comunicação. Apesar de ser defendido na Declaração dos Direitos Humanos, as empresas, os governos e a sociedade civil não conseguem chegar a um consenso. (Texto completo).


Governabilidade Democrática
Genebra a vista: Lula lá:
Começam os preparativos para a participação brasileira em Genebra
O Presidente do Brasil já deu como certa sua participação nas reuniões da Cúpula. Onde, como afirmou Cristiano Berbert, diplomata do Departamento de Temas Científicos e Tecnológicos, os "Chefes de Estado vão firmar acordos sobre a sociedade da informação em dezembro: vários encontros preparatórios já aconteceram e o governo brasileiro começa a se posicionar". (Texto completo).

Desenvolvimento Sustentável
Sampa.org promove inclusão digital na periferia de São Paulo
O Sampa.org é uma ONG que trabalha em função do fortalecimento de uma rede pública de comunicação e informação. Além da escola de informática, oferece outras atividades como agências de notícias populares comunitárias, cooperativas de suporte e manutenção, cursos de capacitação para design e rádio on-line. (Texto completo).

Conhecimento Global de Domínio Público
Esperar e fazer acontecer:
O que a sociedade civil pode desejar de um evento como a CMSI?
A concretização da sociedade da informação vem se transformando em um projeto ambicioso, uma vez que as empresas e os governos vêm colocando suas prioridades e deixando a sociedade civil de lado. Sendo assim, para que não haja mais perdas, torna-se necessário um maior envolvimento e mais consistência nos documentos apresentados. (Texto completo).