Brasil passa a investir mais em Software Livre

Incluir digitalmente as pessoas não significa apenas oferecer um computador ligado à Internet. É preciso ir além da técnica e isso implica conhecimento. Pois, com tanta evolução no campo das novas tecnologias, percebe-se que as pessoas estão sendo tidas por máquinas que podem ser controladas, ignorando assim qualquer atitude em relação ao que deve saber e ter para melhorar a vida.
Um dos pontos que influenciam diretamente a inclusão digital é o uso e controle dos softwares, ou seja, dos programas que são disponibilizados no computador. Pois, com o monopólio da Microsoft, as empresas e as pessoas são obrigadas a comprar os produtos da multinacional que, em muitos casos, coloca uma versão limitada de seus produtos nas máquinas que são vendidas ao consumidor, obrigando-o a atualizar e a adquirir outros que têm afinidade com os instalados. Assim, nos que proporcionam textos, planilhas e até mesmo acesso à Internet sempre têm a mesma marca, impedindo que os disponibilizados no mercado cheguem ao consumidor. Porém, com a aprovação, liberação e uso do software livre no Brasil, muita coisa pode mudar.
A instalação “gratuita” de produtos, como os da Microsoft, na máquina adquirida na loja, na verdade, não é nenhuma vantagem para o comprador, pois ele não tem a licença (e quando consegue, paga um valor altíssimo para utilizá-la) e nenhum controle sobre o programa (inclusive os licenciados são bastante limitados, pois os “criadores” não permitem nem liberam nenhuma informação sobre o alcance do software – que pode até mesmo levantar e supervisionar dados de seus usuários).
Para incluir as pessoas de todos os lugares e níveis sociais e econômicos, o mundo inteiro passa a discutir a utilização do software livre, que, de acordo com o Projeto GNU (http://www.gnu.org/home.pt.html), “se refere à liberdade dos usuários de executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software” que deve estar disponível também para uso, desenvolvimento e distribuição comercial. Ou seja, vem com autorização para ser usado, copiado e distribuído por qualquer pessoa.
No Brasil, o software livre vem sendo bastante discutido e já estão sendo realizadas várias atividades para consolidá-lo. Na semana de 18 a 22 de agosto foi realizado em Brasília o seminário "O Software Livre e o Desenvolvimento do Brasil" onde se analisou a importância do software na inclusão digital dos brasileiros. A partir dele, foi formada uma frente parlamentar em defesa dos programas abertos de informática, com 132 deputados e 18 senadores.
Na abertura do evento, os ministros do governo brasileiro mostraram que uma das grandes vantagens para o país vai ser a economia com softwares. De acordo com o ministro de Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, o Brasil gasta US$ 1 bilhão por ano com a Microsoft. Usando o software livre nas videoconferências e em programas de computadores manuais, só no primeiro semestre deste ano, já chegou a economizar R$ 6 milhões. Em direitos autorais, no período 1993 a 2002 pagou para o exterior mais US$ 5,7 bilhões, causando um grande impacto na balança comercial. Já o ministro da Cultura, Gilberto Gil, enfatizou que o país não pode continuar sendo um eterno pagador de royalties, mas utilizar o software livre que é sinônimo de liberdade e autonomia no mundo digital.
Além dos ministros da Ciência e Tecnologia e da Cultura, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, afirmou que para que o Brasil continue crescendo, gerando emprego e renda, deve produzir bens de elevado valor agregado, como o software, colocando-o de forma competitiva no mercado internacional. Assim, universidades e empresas, também, devem valorizar e investir no projeto como o BNDES e o FINEP que estão oferecendo incentivos a todos os bons projetos que envolvam software livre.
Economizar e incluir a população são idéias que estão começando a criar sentido no atual governo brasileiro. Conforme o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, só na Câmara já foram economizados alguns milhões com licenças, desde 2000, e que a partir de agora, estará desenvolvendo programas para o usuário. Além disso, com a Prodasen e a Interlegis, o Senado e a Câmara estão desenvolvendo sistemas que são distribuídos gratuitamente para todas as Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais.
Além do governo federal, o Banco do Rio Grande do Sul (Banrisul), também está trabalhando com software livre, adotando o sistema GNU/Linux em todos os caixas eletrônicos. Ou seja, utilizam um sistema operacional livre, onde sua licença, GPL (General Public Licence) criada pela Free Software Foundation na década de 80, determina que as mudanças ou modificações num código-fonte devam ser colocadas à disposição de todos gratuitamente.
E, assim como o Banrisul, empresas e governos começam usar o sistema GNU/Linux, como é o caso da Prefeitura de São Paulo que o utiliza em seus telecentros. A customização do sistema GNU/Linux, baseada na distribuição Debian, foi disponibilizado pelo governo para download no endereço ftp://ftp.unicamp.br/pub/linux/iso/debian/telecentros_sp. As experiências dos usuários dos telecentros foram registradas no livro "Toda Esta Gente", que, também está disponível para download em http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?code=86.
De acordo com a professora do Laboratório de Estudos Cognitivos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Lea Fagundes, o software livre permite trabalhar com a inclusão das crianças, oferecendo liberdade para aprender e fazer escolhas. Só no governo de Olívio Dutra, no Rio Grande do Sul, foi possível economizar R$ 40 milhões, com o projeto Rede Escolar Livre RS, e aumentar o número de computadores nas escolas, chegando a 13 mil máquinas. E, como o governo do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, no dia 1º de setembro lançou o Projeto de Software Livre, com o objetivo de unificar e padronizar as ações de software livre no estado.
E, em Santa Catarina, a Assembléia Legislativa passará a treinar seus funcionários em software livre – além de alguns jovens carentes da região, uma vez que este já está se tornando uma realidade para a Casa, e inaugurará seu novo portal com o site do projeto software livre que utilizam. Os primeiros treinamentos serão de KDE usuário e OpenOffice.
Assim, o Brasil se organiza para investir mais no software livre, uma vez que, conforme seus governantes, empresários e consumidores finais puderam perceber, é possível evitar o pagamento de royalties de programas que não permitem estudos, modificações, distribuição e aperfeiçoamento. Além disso, pode-se investir em mais computadores ligados à Internet e na preparação da população para conhecer e trabalhar com máquinas que podem levar ao conhecimento de outras culturas.

por Profª Eula D. Taveira Cabral
Editora do Informativo SETE PONTOS

 
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Desenvolvimento Sustentável
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Vírus na Internet
o mal que se alastra rapidamente e causa prejuízos
Os vírus são programas altamente sofisticados, desenvolvidos em linguagens específicas de programação para infectar e alterar sistemas. São projetados por programadores extremamente hábeis (chamados hackers) e visam afetar de maneira adversa o computador. Causam estragos como apagar arquivos e executar operações sem o comando do usuário. (Texto completo)