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Democratizar os meios de comunicação:
a digitalização abre novas possibilidades
Claudia
Abreu (*)
O
seminário "Do analógico ao digital: possibilidades
do movimento pela democratização da comunicação"
debateu, no dia 11 de outubro, na UERJ, as diversas possibilidades
de políticas e tecnologias de comunicação digital
sob o ponto de vista da participação e inclusão
social. Nesse momento em que está sendo definido o processo
de implantação da TV digital, militantes de diversos
movimentos sociais se mobilizam para, entre outros itens, discutir
o que fazer com o aumento do espaço no espectro eletromagnético
e qual deve ser a regulamentação do sistema para atender
aos interesses da sociedade. O evento foi organizado pelos Comunicativistas,
Coletivo por uma Comunicação Livre e Democrática,
formado por militantes sociais de diversos setores. O Sintuff, que
faz parte desse coletivo, apoiou o evento e diversos militantes
de Niterói estiveram presentes.
Participaram do debate de abertura os professores Marcos Dantas,
Subsecretário de Planejamento do Ministério das Comunicações,
Marcelo Zuffo do Laboratório de Sistemas Integráveis
da USP, onde coordena projetos de pesquisa nas áreas de realidade
virtual e tecnologia da informação, e César
Honorato, do Laboratório de Políticas Públicas
da UERJ.
César falou sobre o excesso de informação produzida
nos dias de hoje e reclamou que o acesso ao computador ainda é
privado mesmo dentro das universidades públicas. Zuffo abordou
a estreita ligação entre cultura e tecnologia, mostrando
como as tecnologias e as invenções estão impregnadas
dos valores culturais de quem a produz. Ele lembrou que a China
não tinha indústria de alta tecnologia até
1989, quando resolveu que ela seria estratégica para o país
e começou a investir dinheiro e pesquisa no setor. Hoje é
um dos países que mais exporta nessa área. Vontade
política é ponto inicial para que o país possa
desenvolver suas próprias políticas na área.
Segundo o professor, até mesmo a revolução
industrial não aconteceu antes por não haver vontade
política, já que muitas das invenções
que caracterizaram o período já tinham sido projetadas.
Marcos Dantas falou nas novas possibilidades de participação
política a partir da implantação da tecnologia
digital: “Ela, em si, por suas características, permite
a democratização da comunicação”.
Ele também abordou a importância de quebrar o “padrão
Microsoft de comportamento” e desenvolver padrões para
acesso gratuito ao uso dos programas de computador.
Grupos de trabalho se reuniram para apresentar propostas sobre vários
temas. O grupo de Inclusão digital discutiu estratégias
para apresentar a discussão sobre sociedade da informação
para as diversas entidades sociais. Foi sugerida a criação
de uma rede da sociedade civil para apropriação de
tecnologias com apoio das universidades. A rede também deve
veicular e articular informações sobre a Cúpula
Mundial da Sociedade da Informação, governança
da Internet no Brasil e no mundo e ações de mobilização
social sobre apropriação de tecnologia. O tema deve
ser incluído pelos Comunicativistas em diversos espaços
sociais.
Os participantes do grupo Alternativas populares de comunicação
livre debateram possibilidades de interação entre
as várias iniciativas de comunicação livre
e a formulação de políticas públicas
de comunicação por ação da sociedade
civil. Foram trocadas experiências e debatida a necessidade
de se mapear as iniciativas existentes no estado, além de
produzir produtos (cartilha, vídeo etc) sobre essas experiências.
No grupo Digitalização da Radiodifusão os participantes
mostraram sua indignação diante da regulamentação
do sistema de rádio digital móvel (RDS) anunciada
pelo presidente da Agência Nacional de Telecomunicações
(Anatel), Luiz Guilherme Schymura, no dia 25 de setembro. O grupo
se posicionou contra a implantação de qualquer tecnologia
digital sem consulta da sociedade. Serão discutidas posteriormente
formas de apresentação desse posicionamento junto
ao governo e a Anatel. Os parlamentares também serão
procurados. Esse debate deve ser apresentado no Fórum Social
Brasileiro. O grupo levantou a necessidade de se formar quadros
nos movimentos sociais para a discussão da digitalização
da radiodifusão. Nesse sentido, será produzido uma
cartilha e um programa de tv para veiculação, inicialmente,
nas tvs comunitárias. As diversas informações
sobre comunicação digital – legislação,
experiências, propostas – devem ser articuladas em um
Observatório de Mídia Digital.
A primeira reunião dos Comunicativistas, pós-evento,
está marcada para o dia 27 de outubro, às 18h30, no
Sindipetro-RJ (Av. Passos, 34). Nesse dia serão dados os
encaminhamentos para as propostas aprovadas na plenária.
A reunião é aberta a todos que lutam por uma comunicação
livre e democrática.
Padrão digital brasileiro
O governo criou um grupo de trabalho interministerial em setembro
para estudar propostas de viabilização do sistema
brasileiro de TV Digital. Participam do grupo os titulares dos ministérios
das Comunicações, Cultura, Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Educação, Fazenda, Relações
Exteriores, Casa Civil e Secretaria de Comunicação
de Governo. O grupo vai apresentar o relatório com as diretrizes
na próxima semana.
O Ministro das Comunicações, Miro Teixeira, afirma
que a África, a China e a Índia são potenciais
usuários do futuro Sistema Brasileiro de Televisão
Digital (SBTD).
* Esta matéria
foi publicada no Jornal do SINTUFF |