Encontro Indígena Interamericano Preparatório sobre Sociedade da Informação
8-10/10/2003 – Brasília, DF - Brasil

Mateus Fernandes
Grupo INTERAGIR

Durante três dias 60 representantes de 19 povos indígenas – e alguns não-indígenas, de 14 paises das 3 Américas estiveram reunidos nos salões do Palácio de Itamaraty, o prédio das relações exteriores, centro da diplomacia brasileira, localizado em Brasília, sob a coordenação de diversas organizações indígenas como o Instituto Indígena Brasileiro para a Propriedade Intelectual – INBRAPI; o Comitê Intertribal – ITC; a Universidade First Nations, do Canadá; a Agência Canadense de Desenvolvimento Internacional e a Fundação Nacional do Índio – FUNAI.
A razão principal é a preparação para a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação – CMSI. Diversas outras motivações atraíram tantas pessoas, de imensa diversidade, para a capital do Brasil. Segundo palavras da própria ministra Marilia Sardenberg, do Ministério das Relações Exteriores – MRE, “o que interessa é o que [a Cúpula] vai trazer de benefício, qual o impulso de mudança que [a Cúpula] vai gerar”. Assim, todos esses indígenas e não-indígenas estão interessados fundamentalmente em transformações inclusivas e participativas. Acreditam que muitas questões modernas, ligadas à comunicação, têm base indígena e sugerem uma volta às origens para uma caminhada mais segura.
E essa é exatamente a posição que o Brasil leva para a CMSI, segundo palavras de Cristiano Berbert, representante do MRE em todas as três reuniões preparatórias – PrepComs: “As Tecnologias da Informação e Comunicação, TICs, devem continuar como ferramentas para solucionar problemas. E, mais do que isso, as TICs devem ser um meio para diminuir a exclusão social, através da inclusão digital”.
Tratando especificamente de aspectos indígenas, as TICs (e a CMSI em si) devem possibilitar: i) crescente aproximação de comunidades afastadas; ii) capacitação dos indígenas para produção e difusão de conteúdo; iii) prestação de serviços aos povos indígenas por parte dos governos, através de ferramentas adequadas.
Discutir sobre tecnologias e cúpulas pode parecer algo distante e inacessível. Mas o processo de participação social, encaminhado pela Organização das Nações Unidas – ONU, já vem ocorrendo há algum tempo. Desde a Cúpula Mundial de Meio Ambiente, realizada no Rio de Janeiro em 1992 (conhecida como Eco 92), passando por Cúpulas sobre Direitos Humanos, sobre População e sobre a Mulher; chegando à importante Cúpula do Milênio, convocada pelo secretário-geral Kofi Anan, que reconheceu, em 2000, as Metas do Milênio, este documento vem sendo utilizado como base para todos os grandes e pequenos eventos sociais, e não é diferente com a CMSI.
A ser realizada, em sua primeira edição, entre 10 e 12 de dezembro de 2003, a Cúpula tem como tarefa principal a aprovação de dois outros documentos – uma Declaração de Princípios, documento mais político e estimulador: e um Plano de Ação, documento mais propositivo, com metas objetivas e estratégicas. Uma difícil tarefa, há que se dizer, já que os 193 países-membro da ONU nem sempre geram consenso para todos os diversos pontos dos documentos.
Talvez por isso mesmo a Cúpula seja tão especial. Definindo rumos para essa nova sociedade, dita “da Informação”, a CMSI foi pensada ainda em 2000, pela União Internacional de Telecomunicações – UIT, logo após serem definidas as Metas do Milênio. Já em 2001 a UIT propõe a CMSI para a ONU, que logo determina que a própria UIT seria então a responsável por encaminhar esse processo. Criaram-se então reuniões preparatórias, Globais e Regionais, e divide-se, pela primeira vez, uma Cúpula em duas fases. Em novembro de 2005, a ser realizada na Tunísia, a Cúpula espera poder reavaliar os documentos e redefinir estratégias, já tendo revisado todo o processo de implementação ocorrido entre os anos de 2003 e 2005.
A reunião preparatória Interamericana foi realizada em Janeiro de 2003, em Bávaro, na Republica Dominicana. A Declaração de Bávaro é um importante documento para subsidiar discussões sobre a Sociedade de Informação. Entre 10 e 14 de novembro ainda será realizada uma última reunião em Genebra para tentar finalizar as discussões fundamentais sobre os dois documentos da Cúpula. Tudo isso mostra a dificuldade de se realizar um processo participativo e inclusivo, mas mostra também a necessidade de que isso ocorra tanto quanto possível.

 
NESTA EDIÇÃO

Integridade das informações é campo de ação para ONGs, por Adilson Cabral
O trabalho das ONGs que atuam pela preservação dos direitos humanos em todo mundo muitas vezes impõe uma série de riscos relacionados àqueles que são afetados por suas campanhas, críticas e denúncias, com base no levantamento de pesquisas e informações que utilizam redes digitais como principal veículo de comunicação. Com base nessa e outras necessidades é que foi criada a Privaterra, com o intuito de esclarecer sobre o poder da tecnologia e proteger organizações e trabalhadores em todo mundo.

Diversidade Cultural e Lingüística
Encontro Indígena Interamericano Preparatório sobre Sociedade da Informação, por Mateus Fernandes
Estiveram reunidos em Brasília 60 representantes de 19 povos indígenas – e alguns não-indígenas, de 14 paises das 3 Américas, nos salões do Palácio de Itamaraty, interessados fundamentalmente em transformações inclusivas e participativas. Acreditam que muitas questões modernas, ligadas à comunicação, têm base indígena e sugerem uma volta às origens para uma caminhada mais segura. (Texto completo)

Desenvolvimento Sustentável
Conferências regionais para a CMSI
O que está sendo proposto nas reuniões em preparação à Cúpula? - por Gabriella Ponte
África, Ásia Ocidental, Ásia-Pacífico, Pan-Européia e América Latina e Caribe são as cinco grandes regiões que estão realizando as Conferências Regionais com o objetivo de definir projetos que serão realizados para a democratização da informação.
(Texto completo).

Direitos Humanos
Declaração das Organizações da Sociedade Civil sobre Tunísia e a CMSI. Tradução em português: Eula Dantas Taveira Cabral
As organizações da sociedade civil presentes em Genebra para a PrepCom3 da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) estão mobilizando todos que lutam pela "sociedade da informação" a endossarem a Declaração sobre Tunísia e a CMSI, uma vez os Direitos Humanos não estão sendo levados em consideração. (Texto comleto).

 

Democratizar os meios de comunicação: a digitalização abre novas possibilidades, por Claudia de Abreu
Foi realizado no Rio de Janeiro o seminário "Do analógico ao digital: possibilidades do movimento pela democratização da comunicação", debatendo as diversas possibilidades de políticas e tecnologias de comunicação digital sob o ponto de vista da participação e inclusão social. O evento foi organizado pelos Comunicativistas (Coletivo por uma Comunicação Livre e Democrática), tendo o apoio do Fórum Rio e da Cointer da UERJ e do Sintuff.

Educação para a Informática e a Internet
Desvendando os mistérios e entendendo a CMSI,
por Eula Dantas Taveira Cabral
Para entender o processo que vem sendo realizado em prol da sociedade da informação e discutido na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, os membros da Campanha CRIS: "Direitos à Comunicação na Sociedade da Informação" e da Associação para o Progresso das Comunicações (APC) escreveram e disponibilizaram o livro "Envolvendo a sociedade civil em políticas de TIC: Cúpula Mundial da Sociedade da Informação" (Texto completo).

Conhecimento Global de Domínio Público
APC lança guia sobre políticas de Tecnologias de Informação e Comunicação
, por Eula Dantas Taveira Cabral
Percebendo a dificuldade de várias organizações da sociedade civil em debater políticas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), principalmente na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) lançou um guia para ajudá-las a iniciar um trabalho de pressão e de militância sobre as políticas de TIC nacionalmente (Texto completo).

CHAMADA PARA SEMINÁRIO DA WACC NA AMÉRICA LATINA - E AS PESSOAS? O QUE SÃO? OS DIREITOS DO CIDADÃO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
Datas: de 6 a 9 de novembro, de 8h às 18h.
Inscrições: no site da Metodista. http://www.metodista.br/ Mais informações: tel.: (11) 4366.5777 ou 5923
E-mail: congresso@metodista.br