Integridade das informações é campo de ação para ONGs

O trabalho das ONGs que atuam pela preservação dos direitos humanos em todo mundo muitas vezes impõe uma série de riscos relacionados àqueles que são afetados por suas campanhas, críticas e denúncias, com base no levantamento de pesquisas e informações que utilizam redes digitais como principal veículo de comunicação.
Com base nessa e outras necessidades é que foi criada a Privaterra, uma coalizão de profissionais de tecnologia de informação (TI), trabalhadores e organizações que atua pelos direitos humanos com o intuito de esclarecer sobre o poder da tecnologia e proteger organizações e trabalhadores em todo mundo.
Com escritórios no Canadá e nos Estados Unidos, a coalizão é um projeto da Computer Professionals for Social Responsibility (CPSR), uma aliança de cientistas da computação ligada ao meio acadêmico, e conta com membros na América do Norte, na América do Sul e na Europa. Sua missão é proteger os direitos humanos através da oferta e da implementação de tecnologias de privacidade e segurança, da educação e do suporte para a tecnologia, para garantir a capacidade comunicativa dos trabalhadores, em segurança contra os perigos da espionagem que possa limitar sua eficiência, infringir seus direitos ou colocar em perigo suas vidas.
Estivemos com Robert Guerra, diretor da Privaterra - durante o Seminário "Do analógico ao digital: possibilidades do movimento pela democratização da comunicação", na UERJ - que nos contou mais sobre sua atuação: as ONGs, em geral, necessitam de um suporte tecnológico mais eficiente para o desenvolvimento de seus trabalhos com a devida integridade. Às vezes esse processo é consciente e nesses casos a Privaterra é procurada para desenvolver trabalhos de capacitação e desenvolvimento das estruturas, mas, em muitos casos, Privaterra atua como esclarecedor dessas necessidades, mostrando a relevância dessa preocupação e os perigos que a informação não protegida que transita pelas redes pode acarretar ao trabalho das ONGs, especialmente se são de caráter confidencial.
Através da Privaterra, Guerra está acompanhando o processo preparatório da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação e vem participando de suas conferências preparatórias (PrepComs). Ele está preocupado com o debate sobre a Segurança da Informação que vem sendo travado pelos representantes de governo e mesmo pela sociedade civil.
Organizações como a Anistia Internacional reconhecem o trabalho da Privaterra para o estabelecimento de sistemas seguros de comunicação a partir das tecnologias que possuem com outras que podem ser agregadas para garantir sua integridade. Assim, pode-se assegurar, por exemplo, a identificação de pessoas que estejam grampeando ligações telefônicas ou invadindo seus computadores para copiar arquivos.
Apesar de otimizar as atividades dessas organizações, a tecnologia também as tornou vulneráveis, justamente pela falta de conhecimento. Muitos abusos aos direitos humanos em países distantes como a China e o Timor Leste foram levantados, denunciados e combatidos através do conhecimento das Tecnologias da Informação, que a Privaterra se empenha em proporcionar.
Além das tecnologias de informação propriamente ditas - disse Guerra - Privaterra também proporciona informações e treinamento às ONGs nas quais atua, mostrando técnicas de segurança da informação e normas de conduta, visando também assegurar a integridade da própria organização, contribuindo com materiais e farta documentação para seu fortalecimento.
Muitas das tecnologias que a Privaterra vem testando, como o PGP (programa de criptografia, que impede a violação das mensagens que circulam na rede) ou programas de software livre, apesar de estarem à disposição ainda são pouco conhecidas da maioria dessas associações e da sociedade de um modo geral.
De certa forma, o acesso à informação que Privaterra reivindica como sociedade civil no processo preparatório da CMSI é um reflexo de sua atuação em relação as ONGs, agindo pela concretização da Sociedade da Informação e do Conhecimento, que não se determina pelas tecnologias que se adotam, mas pela capacidade que as pessoas podem ter de conhecê-las e usá-las para seu próprio benefício.

por Prof. Adilson Cabral
Coordenador do Informativo SETE PONTOS

 
NESTA EDIÇÃO

Integridade das informações é campo de ação para ONGs, por Adilson Cabral
O trabalho das ONGs que atuam pela preservação dos direitos humanos em todo mundo muitas vezes impõe uma série de riscos relacionados àqueles que são afetados por suas campanhas, críticas e denúncias, com base no levantamento de pesquisas e informações que utilizam redes digitais como principal veículo de comunicação. Com base nessa e outras necessidades é que foi criada a Privaterra, com o intuito de esclarecer sobre o poder da tecnologia e proteger organizações e trabalhadores em todo mundo.

Diversidade Cultural e Lingüística
Encontro Indígena Interamericano Preparatório sobre Sociedade da Informação, por Mateus Fernandes
Estiveram reunidos em Brasília 60 representantes de 19 povos indígenas – e alguns não-indígenas, de 14 paises das 3 Américas, nos salões do Palácio de Itamaraty, interessados fundamentalmente em transformações inclusivas e participativas. Acreditam que muitas questões modernas, ligadas à comunicação, têm base indígena e sugerem uma volta às origens para uma caminhada mais segura. (Texto completo)

Desenvolvimento Sustentável
Conferências regionais para a CMSI
O que está sendo proposto nas reuniões em preparação à Cúpula? - por Gabriella Ponte
África, Ásia Ocidental, Ásia-Pacífico, Pan-Européia e América Latina e Caribe são as cinco grandes regiões que estão realizando as Conferências Regionais com o objetivo de definir projetos que serão realizados para a democratização da informação.
(Texto completo).

Direitos Humanos
Declaração das Organizações da Sociedade Civil sobre Tunísia e a CMSI. Tradução em português: Eula Dantas Taveira Cabral
As organizações da sociedade civil presentes em Genebra para a PrepCom3 da Cúpula Mundial da Sociedade da Informação (CMSI) estão mobilizando todos que lutam pela "sociedade da informação" a endossarem a Declaração sobre Tunísia e a CMSI, uma vez os Direitos Humanos não estão sendo levados em consideração. (Texto comleto).

 

Democratizar os meios de comunicação: a digitalização abre novas possibilidades, por Claudia de Abreu
Foi realizado no Rio de Janeiro o seminário "Do analógico ao digital: possibilidades do movimento pela democratização da comunicação", debatendo as diversas possibilidades de políticas e tecnologias de comunicação digital sob o ponto de vista da participação e inclusão social. O evento foi organizado pelos Comunicativistas (Coletivo por uma Comunicação Livre e Democrática), tendo o apoio do Fórum Rio e da Cointer da UERJ e do Sintuff.

Educação para a Informática e a Internet
Desvendando os mistérios e entendendo a CMSI,
por Eula Dantas Taveira Cabral
Para entender o processo que vem sendo realizado em prol da sociedade da informação e discutido na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, os membros da Campanha CRIS: "Direitos à Comunicação na Sociedade da Informação" e da Associação para o Progresso das Comunicações (APC) escreveram e disponibilizaram o livro "Envolvendo a sociedade civil em políticas de TIC: Cúpula Mundial da Sociedade da Informação" (Texto completo).

Conhecimento Global de Domínio Público
APC lança guia sobre políticas de Tecnologias de Informação e Comunicação
, por Eula Dantas Taveira Cabral
Percebendo a dificuldade de várias organizações da sociedade civil em debater políticas de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), principalmente na Cúpula Mundial da Sociedade da Informação, a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) lançou um guia para ajudá-las a iniciar um trabalho de pressão e de militância sobre as políticas de TIC nacionalmente (Texto completo).

CHAMADA PARA SEMINÁRIO DA WACC NA AMÉRICA LATINA - E AS PESSOAS? O QUE SÃO? OS DIREITOS DO CIDADÃO NA SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO
Datas: de 6 a 9 de novembro, de 8h às 18h.
Inscrições: no site da Metodista. http://www.metodista.br/ Mais informações: tel.: (11) 4366.5777 ou 5923
E-mail: congresso@metodista.br