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Conferências regionais para a CMSI
O que está sendo proposto nas reuniões em
preparação à Cúpula?
Gabriella
Ponte
6º período – Jornalismo
Enquanto a Cúpula Mundial da Sociedade da Informação
(CMSI) ainda não chega, estão ocorrendo em diversos
cantos do planeta algumas reuniões propondo idéias
em relação à inclusão digital. Representantes
da sociedade civil, do governo e do setor privado apresentaram vários
pontos a serem discutidos e colocados em prática em seus
respectivos países.
Essas conferências clarearam mais as idéias centrais
da Cúpula. Os principais temas abordados foram: a importância
dos meios de comunicação; a brecha digital; a importância
sobre a realização de atividades para formar a Sociedade
da Informação; a eliminação das diferenças
sócio-culturais; a extinção de qualquer tipo
de exclusão (cultural e/ou digital); intercâmbio de
boas experiências entre os países; a liberdade de expressão;
o direito ao acesso à informação e ao conhecimento;
o desenvolvimento da tecnologia e dos recursos humanos.
Cinco grandes regiões se reuniram para realizar essas conferências:
África, Ásia Ocidental, Ásia-Pacífico,
Pan-Européia e América Latina e Caribe. Algumas foram
realizadas no ano passado e outras esse ano. As Conferências
Regionais tiveram o objetivo de definir muitos projetos que serão
realizados para a democratização da informação.
A primeira aconteceu em maio de 2002, na África. A problemática
destas nações é a pobreza e essa condição
social atrapalha no desenvolvimento cultural e digital. O principal
enfoque nas discussões foi que a Sociedade da Informação
deveria contemplar os interesses de todas as nações,
particularmente das que estão em desenvolvimento. Outro assunto
que foi debatido foi a promoção de softwares livres
que permitam um maior rendimento e capacitação do
usuário.
Em novembro de 2002, outra conferência foi realizada, desta
vez na Romênia (região Pan-Européia). Discutiu-se
que os meios de comunicação são importantes
para promover a informação pública, o desenvolvimento
social e a coesão social; que o acesso universal à
Internet deveria ser a preços acessíveis; que deveria
promover a diversidade cultural e o plurilingüismo; e que as
empresas poderiam utilizar essas novas tecnologias para aumentar
a produtividade, reduzir os custos nas transações
internacionais, aproveitando os recursos da rede.
Ocorreram duas conferências em janeiro deste ano: no Japão
(da região Ásia-Pacífico) e na República
Dominicana (da América Latina e Caribe). Na primeira, eles
dividiram bem as funções dos atores da Cúpula:
facilitar a atuação do setor privado e da sociedade
civil no desenvolvimento das tecnologias da informação
e comunicação e reconhecer o papel dos governos ao
estabelecer alianças entre os interessados. Já na
segunda, a maior preocupação, por ser uma região
com grande situação de pobreza, é o uso apropriado
das tecnologias da informação.
Na conferência da América Latina e Caribe, foi analisada
a importância da integração de todos os setores
socialmente vulneráveis, como as comunidades rurais, os índios,
os desempregados e os migrantes. Eles deverão superar as
barreiras, tais como o analfabetismo, a falta de capacitação
dos usuários, as limitações culturais e lingüísticas
e as particulares condições de acesso à tecnologia
pertinente.
Para a sociedade civil foi lamentável, pois, quase ao mesmo
tempo, estava acontecendo a 3ª edição do Fórum
Social Mundial que impossibilitou muitas Ongs e redes de comparecerem
à conferência. Uma das redes presentes foi a Rede DAWN,
representada por Magaly Pazello.
Magaly escreveu um texto sobre a conferência, intitulado “Lacunas
e Percalços”. Ela diz que a sociedade civil presente
observou “que há uma grande lacuna entre as perspectivas
dos movimentos envolvidos na temática da Sociedade da Informação
e os demais movimentos sociais. De tal maneira que a linguagem utilizada
em suas declarações muitas vezes retrocedam a solicitações
assistencialistas, sobretudo no que se refere a gênero. Há
de se aperfeiçoar mecanismos de interlocução
entre os diversos movimentos para que as ações em
torno dos temas da Sociedade da Informação não
representem ‘voltas ao passado’. (...) Portanto a interlocução
entre os movimentos sociais torna-se necessária para que
o debate em torno da Sociedade da Informação ganhe
qualidade e visibilidade”.
No mês seguinte, ocorreu a última conferência,
a da Ásia Ocidental, no Líbano. No documento de declaração
de princípios, eles demonstram estar muito preocupados com
a infra-estrutura da “construção” da Sociedade
da Informação e de como ela será implementada.
Eles querem transformar a sociedade existente em uma sociedade ligada
à informação. Será priorizado o direito
de comunicar e o direito ao acesso à informação
deverá ser parte fundamental dos direitos humanos. Os países
terão maior oportunidade de interagir, sem o risco de perder
sua identidade cultural.
Cada uma dessas regiões apóia integralmente a formação
da Sociedade da Informação, querendo melhorar e agir
em nível regional e mundial, mas sempre priorizando suas
nações. Essas conferências guiaram os atores
da Cúpula para formular estratégias nacionais, regionais
e mundiais e tomar medidas necessárias para incluir o mundo
na era da informação.
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