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Educação + tecnologia = desenvolvimento?

por Fabio B. Josgrilberg*

A fórmula do título parece simples, mas não dá conta da realidade de um país como o Brasil. Tanto a educação quanto o acesso à tecnologia são apenas dimensões da exclusão social. Não fosse assim, como explicar o aumento das taxas de desemprego em regiões do país justamente quando há cada vez mais acesso à educação e à informação, ainda que não com a qualidade e nos níveis que gostaríamos?
Também é curioso notar o discurso sobre as necessidades para os empregos atuais. Não é raro encontrar nas empresas processos de seleção que exigem dos candidatos qualificações acima da complexidade das atividades que realizarão. Tais demandas estão na esteira do argumento sobre as novas competências exigidas pela chamada Sociedade da Informação. O desdobramento direto dessa argumentação é, por vezes, a reclamação sobre a falta de formação adequada do trabalhador brasileiro.
Em muitos casos, a deficiência de formação para os empregos atuais é uma realidade. No entanto, frequentemente o que falta é emprego. A equação não exige grande reflexão. Com um maior número de pessoas com boa qualificação à procura de trabalho, as empresas têm condições de exigir um profissional mais qualificado para uma atividade de baixa complexidade.
Apesar de algumas contradições no discurso sobre o emprego e a necessidade de qualificação dos trabalhadores, não há como negar a relação entre educação e tecnologia na busca pelo desenvolvimento social. Nesse cenário, o acesso às tecnologias de informação e comunicação, dentre as quais o computador e o acesso à internet são os que mais nos chamam a atenção, é condição imprescindível para a participação na sociedade atual. Da mesma forma, ninguém, em sã consciência, desconsideraria a educação como peça central no desenvolvimento de qualquer país.
Dada a amarração entre educação e tecnologia, novos conceitos surgiram para qualificar o desenvolvimento de cada região. Fala-se, por exemplo, em e-readiness, uma categoria que indica a capacidade de uma nação para participar da Sociedade da Informação. No ranking de e-readiness feito pela Economist Intelligence Unit/ The IBM Institute for Business Value, em 2006, atribuiu-se um peso de 15% ao “ambiente cultural e social”, que inclui, entre outros fatores, os níveis educacionais e de alfabetização digital (e-litteracy). A título de curiosidade, o Brasil aparece em terceiro lugar na América Latina, atrás de México e Chile.
Há uma outra forma de refletir sobre o e-readiness.. Como já escreveu o grande geógrafo brasileiro Milton Santos, a pobreza é muito mais do que um dado estatístico ou uma categoria econômica. A pobreza tem a ver com os objetivos que a sociedade define para si e, por essa razão, possui uma dimensão política. Nesse sentido, o acesso à educação e à tecnologia está diretamente ligado às definições de pobreza da Sociedade da Informação. Contudo, não se pode fazer da escola e do computador as únicas tábuas de salvação para as mazelas sociais. A fórmula não é tão simples assim.

* Fabio B. Josgrilberg é jornalista, doutor em Ciências da Comunicação (ECA-USP), docente da Faculdade de Comunicação Multimídia da Universidade Metodista de São Paulo, onde também é gerente de projetos da Pró-reitoria de Educação a Distância. É autor do livro Cotidiano e invenção: os espaços de Michel de Certeau. E-mail: fabio.josgrilberg@metodista.br. Site: http://www.metaphorai.pro.br

 

 

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