RESUMOS ACEITOS - Comunicação Comunitária
Dia 19/10 - 13 horas (SALA B-109)
COORDENAÇÃO: Profª. Drª. Ana Lucia Silva Enne (UFF)
Comunicação Comunitária: Uma alternativa política ao monopólio midiático
RESUMO: A atual concentração dos meios de comunicação, patrocinada pela competitividade global e impulsionada pela aceleração tecnológica, relegou importantes setores da sociedade civil organizada à condição de meros consumidores de informação produzida pelas corporações midiáticas nacionais, ou mesmo internacionais. Para se contrapor a esse domínio no âmbito do mercado de bens simbólicos, a produção caracterizada como comunicação comunitária, em suas várias possibilidades, ganhou projeção, se afirmando como uma importante alternativa na disputa pela hegemonia no campo da comunicação. Este trabalho tem como objetivo identificar e compreender os principais elementos conceituais que definem a comunicação comunitária e analisar a sua presença no contexto de uma sociedade globalizada, marcada pelo monopólio midiático, bem como avaliar suas potencialidades políticas e culturais.
AUTOR: Rozinaldo Antonio Miani . Graduado em Comunicação Social - habilitação em Jornalismo - e História. Mestre em Ciências da Comunicação pela ECA/USP e Doutor em História pela Unesp/Campus Assis. Professor do Departamento de Comunicação da Universidade Estadual de Londrina (UEL/PR). Coordenador do Curso de Especialização em Comunicação Popular e Comunitária da UEL e do Núcleo de Pesquisa em Comunicação Popular (CNPq)
Instituição: Universidade Estadual De Londrina (UEL/PR)
As pesquisas em Comunicação Popular e Comunitária
RESUMO: Este trabalho propõe duas leituras sobre o fenômeno da Comunicação Comunitária em seu contexto institucional. Tal visualização apresenta-se como proposta de ruptura ou conciliação com a ordem capitalista. Para reivindicar a necessidade de um lugar próprio à Comunicação Popular e Comunitária retomamos alguns elementos importantes referentes à natureza da Comunicação Social, como área legitimada do conhecimento. Este trajeto é importante, já que a presente reflexão incide sobre um viés particular da comunicação, que traz em seu bojo o legado desta instância maior. Neste caso, a Comunicação como campo interdisciplinar oferece à Comunicação Popular e Comunitária a possibilidade de abordar diferentes questões sob uma lógica comum, qual seja, a análise das práticas ideológicas do capitalismo. Refletidas em suas representações sociais - e no âmbito da comunicação -, o comunitário tende a subsumir o popular em micropolíticas dirimindo uma ação coletiva. Daí a importância desta dupla leitura.
AUTOR: Eduardo Yuji Yamamoto - Universidade Estadual Paulista (UNESP Bauru, SP). Jornalista graduado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), especialista em Comunicação Popular e Comunitária (UEL), e mestrando em Comunicação Midiática (linha de pesquisa: produção de sentido na comunicação midiática) pela Universidade Estadual Paulista (UNESP Bauru, SP). Integrante do grupo de pesquisa Mídia e Sociedade nesta mesma instituição.
Rádios Comunitárias: problemas, propostas e inter-ações
RESUMO: O presente trabalho tem como objeto de reflexão a rádio Novos Rumos, localizada no município de Queimados, na Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro. Ela é considerada a primeira rádio comunitária do estado, inaugurada em 1991. Neste artigo, queremos problematizar o conceito de comunidade, a fim de entendermos melhor a denominação das próprias rádios ditas comunitárias e suas implicações. E, através de algumas reflexões preliminares acerca da atuação da rádio Novos Rumos, analisar quem são os agentes envolvidos nesse tipo de atividade, como são definidas suas ações e que tipo de redes eles constituem.
AUTORA: Beatriz Brandão Polivanov - é formada em Letras (Português-Inglês) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Concluiu a Licenciatura pela mesma universidade. Hoje é aluna de Mestrado no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense.
Instituição: Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense
e-mail: biapoliva@yahoo.com.br
O empoderamento popular por meio das rádios comunitárias: uma análise crítica.
RESUMO: A essência deste artigo é debater o papel da mídia comunitária, especificamente das iniciativas constituídas de rádios comunitárias, como forma e movimento de empoderamento de povo e classe. Visa atingir tanto o debate no ambiente acadêmico, como incidir na elaboração de conteúdo e gestão coletiva das rádios comunitárias, considerando que se tratam de um movimento de massa com bases desorganizadas, o esforço para implementar esta postura analítica e incidente torna-se a capacidade possível de testar a operacionalidade ou não dos conceitos, debates e análises a serem apresentadas. Dessa forma, pretende-se contribuir para efetivar dinâmicas de linguagem e gestão capazes de evidenciar a qualidade de experiências inspiradoras, capazes de articular pessoas, grupos e organizações em torno da apropriação social de meios e processos comunicacionais.
AUTORES: Prof. Dr. Adilson Cabral - Professor do Curso de Comunicação da UFF, coordenador do EMERGE (Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência) e do Informativo Eletrônico SETE PONTOS (http://www.comunicacao.pro.br/setepontos). Doutor e Mestre em Comunicação pela UMESP e graduado em Comunicação Social pela UFF, habilitação Publicidade e Propaganda. Msc. Bruno Lima Rocha - Doutorando e Mestre em Ciência Política pela UFRGS, e graduado em Comunicação Social pela UFRJ, habilitação Jornalismo. Coordenador do portal Estratégia e Análise e pesquisador do EMERGE (Centro de Pesquisa e Produção em Comunicação e Emergência).
A rádio educativa é educativa?
RESUMO: Este trabalho propõe-se a discutir o caráter educativo das rádios classificadas como educativas. Discute o papel da mídia enquanto instrumento a serviço da educação e cultura, questiona o que se entende por isso nos meios de comunicação e faz uma reflexão sobre até que ponto a programação veiculada pelas emissoras atende a esse propósito. O artigo, que toma como objeto de estudo as rádios educativas de Santa Catarina, analisa também a estrutura disponibilizada pelas emissoras, as dificuldades de manutenção e a pressão em busca de audiência e resultado financeiro. Palavras-chave: Rádio, educação, indústria cultural.
AUTOR: Leandro Ramires Comassetto - Dr. em Comunicação Social, professor do departamento de Comunicação e pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Contestado - SC.
Comunicação popular, ciberespaço e cidadania
RESUMO: Que possibilidades realizáveis o ciberespaço e seus caminhos agregados na web asseguram , de fato, aos movimentos sociais populares? Parece que muito.O que permite a eles uma opção bem clara: a ofensiva em termos simbólicos, como diria Carlos Nuñez ( 1993 ). Construir uma ampla autonomia para organizar a produção e a distribuição de bens culturais, da informação e do conhecimento. De certa forma, enterrar a decantada mediação que, na realidade, atrasou muito esta busca. Houve sempre, dentro da história, uma convicção, da qual a academia foi peça importante nesta formulação , de que a gestão dos meios de comunicação deveria pertencer, com exclusividade, às elites. E às duas partes a co-gestão intocável da esfera simbólica, em nome da humanidade como um todo. As práticas populares num sentido inverso, com os zapatistas e sua Revistachiapas junto com o desejo do povo Krahô em ter sua língua na internet, via Ponto de Cultura, dão conta exata do que estar por vir. O PLC, a banda larga via rede elétrica, poderá garantir às culturas populares uma gigantesca onda de ocupação do ciberespaço. As cancelas da web parecem escancaradas. Um outro mundo já se anuncia, simbolicamente.
AUTOR: Nilton José dos Reis Rocha (UFG). Professor e co-gestor de projetos de ação comunitária como Do Grito à Internet a comunicação entre os povos indígenas, Tv Criança Lambança, Circo da Comunicação da Infância e Juventude, Magnífica Mundi Rádio e TV pela Internet (www.facomb.ufg.br/magnifica), da revista eletrônica Vasto Mundo (www.facomb.ufg.br/vastomundo) e dos Pontos de Cultura Casa da Memória Viva Krahô(Tocantins), Vale do Rio Corrente (Bahia ) e Circo para a Cidadania, além do projeto Povo Kalunga, pela Petrobrás Cultural.
Dia 20/10 - 13 horas (SALA B-109)
COORDENAÇÃO: Prof. Dr. Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio)
Enraizados: hip hop glocal na Baixada Fluminense
RESUMO: A proposta desse artigo é pensar como as novas tecnologias de informação e comunicação possibilitam outras atitudes de ciberativismo político, discutindo os modos pelos quais os grupos da periferia se apropriam desse aparato tecnológico para a produção de produtos culturais. Para esta tarefa, analisamos a trajetória do Movimento Enraizados, criado por jovens da comunidade do Morro Agudo, Nova Iguaçu. Através do uso de software livre e kits multimídia, o grupo já lançou duas coletâneas musicais: uma, com oito grupos de rap de seis estados brasileiros; outra, apenas com grupos locais de hip hop. Esta reflexão trabalha a relação entre o localismo estrutura fundadora da comunidade e o globalismo, enquanto indutor de profundas transformações na cultura contemporânea. Nesse entrelaçamento, emerge uma nova dinâmica: o glocal ou a centriferia. Entre a mcdonização do mundo e a jihadização das identidades, o Movimento Enraizados pode ser entendido como um componente da galáxia dos híbridos glocais.
AUTOR: Leonel Azevedo de Aguiar (PUC-Rio). Professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e coordenador do Curso de graduação em Jornalismo do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio. Doutor e mestre em Comunicação pela UFRJ. Jornalista. Bacharel em Comunicação Social / Jornalismo pela UFF.
Vozes do Carandiru: estudo comparativo de quatro narrativas do Massacre
RESUMO: Uma briga de presos no Pavilhão 9 deveria terminar como um tumulto da Casa de Detenção, no complexo do Carandiru, em São Paulo. Porém, uma intervenção policial resultou em 111 mortes. O episódio, ocorrido em 2 de outubro de 1992, ficou conhecido como o Massacre do Carandiru. Este trabalho irá reviver o Massacre na visão das narrativas: Estação Carandiru (Cia. das Letras, 2002), de Dráuzio Varella; Pavilhão 9 (Geração Editorial, 2001), de Hosmany Ramos; Sobrevivente André du Rap (Labortexto, 2002), de José André de Araújo/Bruno Zeni e a música Diário de um Detento (Racionais MC's). O estudo investiga os temas da representação, do testemunho, da memória e da subjetivação, conceito explorado por Foucault, que permite a construção de sujeitos como os presos do Carandiru.
AUTORA: Carla Sena Leite - É jornalista há 13 anos com atuação em diversos veículos de imprensa, mestre em Ciência da Literatura, com ênfase em Teoria Literária, pela Universidade Federal do Rio do Janeiro (UFRJ) e professora substituta de jornalismo impresso do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Comunicação rural e Organizações Não-Governamentais
RESUMO: A presente pesquisa teve como objetivo analisar como funcionam os processos de comunicação desenvolvidos por Organizações Não-Governamentais (ONGs) que atuam junto a populações rurais. Foi realizada uma revisão bibliográfica incluindo as principais produções sobre a temática. Foram apontadas as similaridades recorrentes quanto às práticas desenvolvidas por estas organizações, elencando os principais aspectos observados. Concluiu-se que, em geral, as ONGs possuem uma visão instrumental da comunicação, apenas, não tendo claro as contribuições político-estratégicas que tem a oferecer para o fortalecimento das instituições e legitimação das causas que representam
AUTORA: Daniela de Oliveira Danieli - Grupo de Assessoria em Agroecologia na Amazônia (GTNA). Mestranda em Ciências da Comunicação UNISINOS. Bacharel em Comunicação Social, habilitação em Relações Públicas, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Assessora de Comunicação do Grupo de Assessoria em Agroecologia na Amazônia (GTNA). Animadora da Rede de Informações Agroecológicas da Amazônia (RIAA). Participante do Grupo de Trabalho sobre Sistemas de Informação da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).
Planejamento estratégico participativo: o caso da associação dos moradores da comunidade da Gleba Triângulo em Tangará da Serra - MT
RESUMO: A Comunidade da Gleba Triângulo surgiu da ocupação da antiga Fazenda Triângulo na década de 80, é composta por aproximadamente 165 famílias e sua infra-estrutura compreende um pequeno comércio local, escolas, igrejas, e um pequeno laticínio. O trabalho em questão, com base numa pesquisa exploratório-descritiva, no estudo de caso e na pesquisa-ação tem por objetivo elaborar e implantar o planejamento estratégico participativo junto à Comunidade da Gleba Triângulo. Através das primeiras impressões obtidas no contato direto com os moradores da comunidade pôde-se constatar o grande interesse dos mesmos em se aprofundar a integração científico-social e cultural entre a UNEMAT e a comunidade local. Bem como, o interesse da Associação dos Moradores em elaborar o planejamento estratégico de suas ações futuras. Espera-se que o resultado da pesquisa venha contribuir para o fortalecimento da agricultura familiar rural nesta Comunidade e possibilite a implantação de novos projetos de pesquisa e extensão visando melhorias na qualidade de vida do homem do campo.
Palavras-chave: Planejamento estratégico, organização familiar rural, desenvolvimento sustentável.
AUTORES: Sandro Benedito Sguarezi - Professor do Departamento de Administração da Universidade do Estado de Mato Grosso-UNEMAT. Coordenador do Núcleo de pesquisa, Extensão e Estudos da Complexidade no Mundo do Trabalho-NECOMT. Elei Chavier Martins - Acadêmico do curso de Administração-Linha de Formação em Agronegócios. Bolsista PROBIC do projeto Organização Familiar Rural da Gleba Triângulo em Tangará da Serra-MT.
O jornalismo no interior de Santa Catarina
RESUMO: Dentre os vários meios de comunicação existentes na sociedade dita "pós-moderna", o jornal impresso, é ainda um importante meio para manter as pessoas atualizadas, principalmente nas cidades pequenas onde a comunidade é mais carente de informação. A carência de um veículo que realmente satisfaça os interesses municipais e regionais e que tenha representatividade no meio em que está inserido é evidente no contexto brasileiro. Em alguns locais, o jornal impresso representa o principal meio de obtenção de informação, mas os fatos que são relevantes e, por conseqüência, noticiados nas grandes cidades não acontecem, ou acontecem em menor freqüência, em cidades menores. Isso gera a falta de matérias diárias, problema com o qual esses jornais ainda não aprenderam a lidar. Este artigo visa mostrar a importância do jornal impresso perante a população e apresentar algumas deficiências que estão sendo percebidas pelos leitores desses jornais de interior, tomando como base a cidade de São Bento do Sul.
AUTOR: Ana Cláudia Gusso UMESP. Formada em Relações Públicas pela Universidade Federal do Paraná e aluna regular do programa de mestrado em comunicação social pela Universidade Metodista de São Paulo.
O surgimento da radiodifusão e a transição para a Televisão Digital no Brasil: uma abordagem multidisciplinar.
RESUMO: A discussão da definição da televisão digital brasileira em junho de 2006, deixa a impressão de que os determinantes da escolha são tecnológicos. Este ensaio busca revelar as dimensões sociais, culturais e econômicas do processo, sinalizando para uma disputa com fortes motivações comerciais. A partir de uma análise multidisciplinar que relaciona os Estudos Culturais e a Economia Política da Comunicação, desenvolvemos uma pesquisa qualitativa, com notícias relativas à TV Digital, divulgadas em veículo especializado no período de fevereiro a junho de 2006. A análise confirma as semelhanças com o surgimento da radiodifusão, a partir da qual Raymond Williams elabora uma proposta sobre os usos sociais da tecnologia, dentro de processos racionais de escolha por grupos de interesse.
PALAVRAS-CHAVE: Radiodifusão televisão digital grupos de influência
AUTORA: Estela Kurth Jornalista e professora. Mestre em História Cultural pela UFSC (2006), e doutoranda em Comunicação Social PUCRS.