RESUMOS ACEITOS - Estudos Culturais
Dia 19/10 - 13 horas (SALA C-102)
COORDENAÇÃO: Profª Msc. Carmen Lucia Castro Lima (UNEB/UCSal)
Notas sobre economia da cultura
RESUMO: Ao longo do século XX, a importância socioeconômica das indústrias culturais, uma lógica mercantil de exploração da cultura, viabilizou a aproximação entre cultura e economia. No século XXI, a constituição da sociedade da informação possibilitou a imbricação entre os campos da cultura e economia, que pode ser observada na crescente produção e circulação de bens e serviços simbólicos. Nesse cenário, a ciência econômica encontra novos desafios, e busca através da economia da cultura, analisar e compreender esse fenômeno. O objetivo do artigo é apresentar, mesmo que pontualmente, um painel histórico-conceitual dessa disciplina, contemplando sua legitimação na segunda metade do século XX, as importantes contribuições de economistas clássicos e utilitaristas, e uma agenda atual de questões relativas à temática.
Palavras-chave: cultura, economia, economia da cultura, indústrias culturais, sociedade da informação.
AUTORES: Carmen Lucia Castro Lima – É Doutoranda em Cultura e Sociedade – FACOM/UFBA e Professora da Universidade do Estado da Bahia e da Universidade Católica de Salvador; César de Oliveira Franca – É Mestrando em Cultura e Sociedade – FACOM/UFBA; João Paulo Rodrigues Matta - Doutorando em Cultura e Sociedade – FACOM/UFBA. Os autores compõem o GEPEC - Grupo de Estudos e Pesquisa em Economia da Cultura.
Políticas Culturais no Brasil Contemporâneo: Um Estudo do Governo Lula (2003-2006)
RESUMO: As transformações observadas com as indústrias da cultura, a profissionalização do setor cultural, os avanços tecnológicos e midiáticos e a multiplicidade de agentes culturais demonstram as novas complexidades que a cultura tem adquirido. Na área das políticas culturais, torna-se necessário analisar o Estado nessa nova circunstância social enquanto agente influente e mobilizador do processo cultural e sua relação com os demais participantes na formulação, na gestão e na produção da cultura para elaborar ações mais condizentes com as novas necessidades e implicações desse sistema. Este estudo é parte de uma dissertação que discutirá as políticas culturais para o audiovisual no Brasil analisando o ministério da cultura do governo Lula sob a gestão de Gilberto Gil (2003-2006).
AUTORA: Paula Félix dos Reis - Universidade Federal da Bahia. Mestranda em Cultura e Sociedade pela Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, com especialização em Gestão da Comunicação pela Escola Superior de Administração e Marketing. Atuação profissional nas áreas de assessoria de comunicação e marketing, com pesquisas na área de cultura e política.
As questões de Gramsci nos Estudos Culturais
RESUMO: Os Estudos Culturais surgem na década de 60, na Inglaterra, como uma proposta além da interdisciplinar. Um projeto político por sua excelência em que o objeto a ser estudado tem o seu contexto e suas atribuições políticas. Contestam o teórico através do empírico, e a rearticulação da história em termos de contextos materiais específicos. A transformação social e mudança cultural devem ser abordadas com cuidado e embasamento teórico. Articulações, conjunturas, hegemonia, ideologia, identidade e representações devem ser levadas em conta na construção do contexto e na inserção do objeto. Desta forma, os Estudos Culturais apóiam-se no conceito de Hegemonia de Gramsci para justificar e demonstrar que existe a resistência. A compreensão de blocos e conjuntos sociais relacionados às relações de classe, bem como a necessidade de alianças se solidariedade, é o deslocamento de Gramsci em relação ao marxismo, que agora é enfatizado. O enfraquecimento da esquerda, descrédito no Estado e a imersão no entretenimento como fuga da realidade são os pontos a serem abordados neste trabalho. Assim como a importância do pensamento de hegemonia em Gramsci nos Estudos Culturais Latinoamericanos.
AUTORA: Lauren Ferreira Colvara - Formada em Psicologia, pela Faculdade de Ciências e Letras de Assis - UNESP/ASSIS (Universidade Estadual Paulista). Mestranda do Programa de Pós Graduação em Comunicação Midiática da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação - UNESP/ BAURU (Universidade Estadual Paulista); Bolsista Fapesp.
Políticas Culturais e a Gestão Municipal: Um Desafio para o Desenvolvimento Sócio-Cultural
RESUMO: Este artigo tem como foco central de análise as políticas e a gestão da cultura em âmbito municipal. Inicialmente, desenvolve-se uma reflexão sobre a importância de uma gestão da cultura que adote políticas voltadas para a democracia cultural e a inclusão social. Em seguida, apresenta-se um estudo de caso da cidade de Canavieiras, no sul da Bahia, descrevendo-a em seus aspectos históricos, geográficos, econômicos e turísticos; e analisando-a a partir dos segmentos, equipamentos, e manifestações culturais que nela se fazem presentes e se destacam. Por fim, apresenta-se os pressupostos que norteiam a investigação da administração municipal, que está sendo desenvolvida no mestrado, a fim de entender como está organizada e quais as prioridades da gestão pública da cultura em quatro cidades do interior da Bahia. O critério para escolha dos municípios a serem estudados levou em consideração a participação destas cidades no PIB baiano e o crescimento econômico registrado pelos municípios.
Palavras-chave: políticas culturais, administração pública, gestão cultural, poder local
AUTORA: Daniele Pereira Canedo é aluna do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação em Cultura e Sociedade, da Universidade Federal da Bahia, no qual desenvolve a pesquisa de mestrado intitulada “Políticas Culturais e o Poder Local - O lugar da cultura na administração das cidades que mais crescem na Bahia”. Graduou-se no curso de Produção em Comunicação e Cultura, na Faculdade de Comunicação da Ufba.
Centros Culturais e as Leis de Incentivo: quando se cruzam políticas públicas e privadas no sistema das artes
RESUMO: O trabalho apresenta os primeiros dados levantados para a pesquisa que está sendo realizada no Curso de Mestrado, objetivando analisar o impacto da atuação de três instituições culturais, escolhidas por serem atreladas a corporações bancárias, CCBB/RJ, Itaú Cultural/SP e Santander Cultural/RS. Busca compreendê-las como centros de divulgação da produção artística, abrangendo a dimensão das possíveis contribuições e democratização da veiculação do que é produzido nas artes visuais do país. Entende-se que a indagação do trabalho atenta para os modelos que referenciam a construção e formação de hábitos do universo da cultura contemporânea, originados a partir do posicionamento político-cultural das instâncias de poder, cujas instituições a serem estudadas se valem para gerirem suas políticas de atuação. Para tanto, serão entrevistados quatorze artistas, escolhidos por critério de recorrência em exposições interessadas em inserção de profissionais no sistema das artes. A intenção é investigar em que medida a passagem nos centros provocou algum significado na consolidação de suas carreiras. No momento, o levantamento bibliográfico está dando sustentação teórica às questões da pesquisa.
AUTOR: Nei Vargas da Rosa - Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais Instituto de Artes - Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mestrando em História, Teoria e Crítica da Arte. Graduado em História, pela PUCRS. Coordenou o serviço educativo do Santander Cultural. Ministrou cursos sobre a utilização de equipamentos culturais como instrumento pedagógico, para professores da rede municipal e estadual de ensino. Dirigiu o Departamento de Difusão Cultural da Pró-Reitoria de Extensão da UFRGS.
Da chegada à partida, um convite oficial ao pós-colonialismo
RESUMO: A chegada de imigrantes à cidade de São Paulo durante a sua industrialização não se deu de modo isolado da vida sócio-cultural da cidade e, assim, o início do século XX presenciou o surgimento inúmeras sociedades destinadas à preservação das culturas estrangeiras que haviam sido convidadas a aqui se instalar. Menos de cem anos depois, o convite é retribuído. São Paulo passa abriga espaços culturais oficiais, entendidos como organismos públicos em seus países de origem, cujos objetivos, expressos nas leis que os constituem, são, habitualmente, os de levar ao conhecimento da nação estrangeira (nós), sua língua, arte e cultura (contemporâneas). 7É fato que tais benefícios nos são oferecidos de modo praticamente filantrópico, porém, seria ingênuo não perceber que estes lugares não só geram recursos financeiros que contribuem na manutenção das instituições (via cursos de idiomas e certificação oficial), como também dão origem a uma ´sede de consumo' da produção cultural estrangeira, por meio de sua intensa promoção. O discurso adotado por estas instituições, tanto na imprensa, quanto nos meios de divulgação próprios, é o tema deste trabalho.
AUTOR: Luz García Neira - Mestre em Ciências da Comunicação - ECA/USP e Professora no Centro Universitário SENAC.
Dia 20/10 - 13 horas (SALA C-102)
COORDENAÇÃO: Prof. Dr. Clóvis Ricardo Montenegro de Lima (UFSC)
Definições analíticas para os segmentos produtores de bens simbólicos: uma breve análise
RESUMO: Muitos estudiosos advogam, que no final do Século XX, verificou-se a intensificação da importância do conteúdo da informação dos produtos. A criação dos conteúdos se orientaria, sobretudo, pela necessidade de responder à individualização da demanda em que os indivíduos desenvolveriam as suas personalidades através do consumo cultural. Os produtos, cada vez mais, seriam consumidos através da experiência causada pela natureza subjetiva desses bens, ou seja, o seu valor simbólico. Como decorrência, haveria a expansão dos setores que produzem e circulam os chamados bens simbólicos. Nas duas últimas décadas do Século XX, verifica-se a proliferação de expressões para descrever estas atividades econômicas, a saber: indústria cultural, indústria de conteúdo, economia criativa, indústria criativa, indústria do entretenimento, indústria de experiência e indústria de copyright. O presente artigo tem como objetivo principal fazer uma breve análise dos diferentes aparatos conceituais que surgiram para descrever as atividades econômicas que produzem conteúdos simbólicos. Particularmente, avaliando o contexto histórico do surgimento destes termos.
AUTORA: Carmen Lucia Castro Lima - Doutoranda do Programa Multidisciplinar de Pós-Graduação Strictu Sensu em Cultura e Sociedade da Universidade Federal da Bahia. Mestre em Economia pela Universidade Federal da Bahia. Economista da Agência de Fomento do Estado da Bahia (DESENBAHIA); Professora da Universidade do Estado da Bahia e da Universidade Católica de Salvador).
INSTITUIÇÕES: Universidade Federal da Bahia; Universidade do Estado da Bahia ,Universidade Católica de Salvador e Agência de Fomento do Estado da Bahia (DESENBAHIA).
O Big Brother, o Brasil e a TV da era da globalização
RESUMO: O trabalho procura interpretar criticamente o fenômeno característico da televisão na era da globalização - os reality-shows - a partir de uma série de programas específicos, ou seja, o Big Brother Brasil. Eles surgem como o `insistentemente novo' da Industria Cultural, reforçando o caráter conformista suscitados por esta indústria, convidando os telespectadores à observação passiva através do mote `sentar e espiar', pois quem está sempre `espiando' pra saber o que vai acontecer depois nunca age. Também Adorno nos permitiu observar como tais programas, na verdade, negam sua aspiração à realidade, transmitindo apenas uma visão específica da sociedade, que é da burguesia - da classe média urbana, que aspira por sucesso e fama. Por sua vez, Maria Rita Kehl nos permite afirmar que estes programas são sintomáticos do sofrimento do sujeito contemporâneo, e que ele vai buscar suprir essas perdas pelo `aparecimento' da imagem do seu corpo. Ela argumenta ainda que eles representam a crueza das estratégias e da concorrência sem limites, que marcam o capitalismo selvagem, na sua etapa neoliberal, ao qual estamos todos submetidos.
AUTOR: Rodrigo Boldrin Bacchin - Faculdade de Ciências e Letras - FCL/ Ar. Universidade Estadual Paulista - UNESP. Programa de Pós-graduação em Sociologia, curso de Mestrado. Graduado em Ciências Sociais pela UNESP/Araraquara no ano de 2005, realizei durante o ano de 2004 um projeto de Iniciação Científica sob a orientação do Prof. Dr. Renato Bueno Franco e apoio financeiro da FAPESP - com o título de “Reality-shows: a tv na era da globalização”.
Creative commons e produção cultural solidária no Brasil
RESUMO: O conceito de propriedade intelectual parece esgotado e se mostra inadequado na sociedade da informação. Abundam conflitos entre direitos autorais e patentes e demandas sociais. Formas colaborativas de produção de saberes, bens culturais e informação impõem novo enfoque. Wikipédia e o Linux são exemplos desta cooperação em estruturas abertas. A Internet viabiliza comunicação em tempo real entre produtores e consumidores que se potencializam por “licenças de uso”. Trabalho voluntário e construção solidária não podem ser capturados e avaliados por sua rentabilidade econômica. A produção cultural solidária “escapa” do modo capitalista das forças produtivas. As estruturas normativas da linguagem de programação são fundamentos desta nova ordem, diz Lessig. O Creative Commons (CC) desenvolve licenças abertas, sendo instrumento para que criadores digam de modo claro e preciso que sua obra é livre para distribuição, cópia e uso. Usa-se a idéia de direito autoral para gerar autorizações (copyleft) para interferência, colagem e recriação coletiva. O Brasil está integrado à iniciativa, com especialistas trabalhando na sua adaptação e obras sendo licenciadas.
AUTORES: Clóvis Ricardo Montenegro de Lima . Mestre e doutor em Ciência da Informação na ECO/UFRJ/IBICT. Mestre e doutor em Administração na EAESP/FGV. Professor adjunto do departamento de Ciência da Informação da Universidade Federal de Santa Catarina. Rose Marie Santini . Mestre em Comunicação na UERJ. Doutoranda em Ciência da Informação na UFF/IBICT e em Comunicação na ECO/UFRJ.
Música, Internet, consumo e pirataria: alguns pontos para discussão
RESUMO: O presente trabalho pretende problematizar a noção de pirataria digital através de uma abordagem multifacetada. Focalizando preferencialmente o mercado fonográfico, verificamos que a proliferação da Internet de banda larga tem favorecido a consolidação de novas práticas de consumo musical. Desde o sucesso do Napster há alguns anos, a intensa iteratividade entre fãs de música que compartilham suas coleções on-line enseja uma profunda reorganização na indústria fonográfica. Nesse cenário a questão dos direitos autorais tem merecido destaque especial. Alguns usos e abusos de dispositivos informacionais de gerenciamento e controle de cópias não autorizadas, bem como modelos alternativos de licenças propostas pelo Creative Commons para a música distribuída na Internet são discutidos nesse trabalho, que procura discutir a situação da chamada pirataria musical com ênfase especial no contexto brasileiro.
Palavras-chave: Internet, música digital, consumo, pirataria.
AUTORA: Gisela Castro . Docente do Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo ESPM - São Paulo. Graduou-se em Psicologia (IP-UFRJ), tendo posteriormente obtido os graus de Mestre e Doutora em Comunicação e Cultura (ECO-UFRJ), com bolsas da CAPES e CNPq. Atuou como pesquisadora recém-doutora do Programa de Prós-Graduação em Comunicação Social da PUC-Rio com bolsa FAPERJ. Atualmente atua como docente e pesquisadora do Programa de Mestrado em Comunicação e Práticas de Consumo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM - São Paulo), onde desenvolve pesquisa sobre o consumo de música na Internet.
Produção independente de música nos anos 90 - tecnologia e terceirização: bases para o sistema aberto de produção
RESUMO: O objetivo deste trabalho é propor uma discussão sobre o desenvolvimento da produção independente de música no Brasil, verificado especialmente nos anos 90, e as principais conseqüências deste crescimento e consolidação no contexto mais geral de funcionamento da indústria fonográfica. O enfoque para tanto se concentra na relação que se estabelece entre a produção independente e as grandes gravadoras de música, relação esta que implica desenvolvimento tecnológico e reestruturação na organização econômica e na forma de atuação destas grandes gravadoras. A partir do aprimoramento tecnológico do aparato necessário à gravação de um disco e seu conseqüente barateamento, tanto produtores artísticos e musicais quanto os próprios músicos se aproximam dos meios de produção e criam um cenário em que é possível visualizar: de um lado, as condições necessárias para um produto tecnicamente bem acabado e uma maior profissionalização da produção independente; de outro, como conseqüência, a fragmentação e terceirização do processo de produção por parte das grandes gravadoras.
AUTORA: Heloísa Maria dos Santos Toledo - Doutoranda em Sociologia pela UNESP/Araraquara. Doutoranda em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista-UNESP, campus Araraquara, com o projeto intitulado Trilhas sonoras das telenovelas: uma discussão sobre os canais de difusão da música. Mestre em Sociologia pela Universidade Estadual Paulista-UNESP, campus Araraquara, com a dissertação Produção independente de música 1979-2001.
A mulher no jornalismo esportivo
RESUMO : Cada vez mais a mulher amplia seus horizontes de trabalho no campo jornalístico, atuando em diversas editorias, entre elas o esporte, que já foi reduto apenas de homens. Este trabalho de pesquisa volta-se para a questão da presença da mulher no jornalismo esportivo, como foi o início dessa atuação, o pensamento masculino e feminino sobre o assunto, e quais as possibilidades das mulheres na editoria de esportes. O referencial bibliográfico serve como base para entender e saber o que a história, os livros e os autores falam sobre o início da participação feminina na imprensa e no jornalismo de esportes, e as entrevistas com profissionais da área, tanto homens quanto mulheres, apontam como é o mundo da mulher nesse campo de trabalho, visto por eles e contado por elas. É possível perceber que há espaço para a atuação feminina na imprensa esportiva, e que não existe preconceito declarado em relação à presença delas nesse ramo. Basta que demonstrem profissionalismo e conhecimento, como em qualquer outra área do jornalismo.
Palavras-chave: Mulher, jornalismo, esportes, rádio.
AUTORES: Douglas Leandro Rieger Fortes e Ana Paula Roncáglio
Mestre em Comunicação Social e graduada em Comunicação Social – UnC - SC